Produtor-executivo do filme “Dark Horse”, que conta a história de vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) afirmou nesta quinta-feira, 14, “não haver contradição” entre as versões divulgadas por ele, pela produtora do longa e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no dia anterior.
Após o site Intercept Brasil revelar que Flávio pediu US$ 24 milhões a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que foi preso em meio a um escândalo de corrupção, para o financiamento do filme, o próprio senador emitiu uma nota confirmando a negociação, mas se eximindo de ilegalidades.
Momentos depois, a produtora do filme no Brasil, a GO UP Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, e Frias publicaram suas respectivas notas negando ter havido “qualquer centavo” de Vorcaro no financiamento do projeto.
“Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master” no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta’, afirmou Frias por meio de nova nota nesta quinta.
“Reitero que o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer outra estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público”, completou.
A Entre, porém, é suspeita de atuar em parceria com empresas de Vorcaro. Como já mostrou o Estadão, a Polícia Federal avalia que Vorcaro era uma espécie de “dono oculto” da Entrepay, liquidada pelo Banco Central em março. O diretor da instituição, Antônio Carlos Freixo Júnior – que teve a indisponibilidade dos bens decretada – é visto nos bastidores como um operador que usava a infraestrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro.
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As versões iniciais dos produtores do filme tinham entrado em conflito com a confirmação de Flávio, uma vez que parte do dinheiro pedido a Vorcaro, ao menos US$ 2 milhões, foi transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.
O fundo tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC’, de Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O Grupo Entre, controlador da Entre Investimentos e Participações, disse ao Intercept que “não existe vínculo societário, de controle ou de governança da empresa com Daniel Vorcaro’.
Os produtores do filme se fiaram na ligação indireta entre a Entre e Vorcaro para tentar se afastar do escândalo. Nos diálogos entre Vorcaro e Fabiano Zettel divulgados pelo Intercept, Vorcaro diz sugere fazer o pagamento ‘via entre’, em possível referência à Entre Investimentos e Participações, quando o cunhado escreve que o “câmbio do Master está criando caso’, ou seja, dificultando os pagamentos solicitados.
Além disso, o Master pagou R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos, segundo declarações de Imposto de Renda do banco, segundo informações do jornal O Globo.
Compare as três versões divulgadas pelos envolvidos na crise na quarta-feira.
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Veja a íntegra da nota do senador Flávio Bolsonaro
Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.
Veja a primeira nota do deputado Mário Frias
Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço:
- O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte – o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio.
- Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco.
- Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional – com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido.
- Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.
- Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir.
Veja a segunda nota do deputado Mário Frias
Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, esclareço que não há contradição material entre os posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento.
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Quando afirmei anteriormente que não há “um centavo do Master” no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora. O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta.
Reitero que o senador Flávio Bolsonaro e o Deputado Eduardo Bolsonaro não têm sociedade no filme nem na produtora ou com qualquer outra estrutura ligada ao filme, tendo apenas autorizado o uso de direitos de imagem da família. Também reafirmo que todo o dinheiro captado foi utilizado exclusivamente na produção do filme Dark Horse, projeto realizado com capital privado e sem qualquer recurso público.
Deputado Federal Mário Frias
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Produtor Executivo
Veja a íntegra da nota da produtora do filme
A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.
Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a GOUP Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário.
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A produtora reafirma que o projeto cinematográfico Dark Horse foi estruturado dentro de modelo privado de desenvolvimento audiovisual, por meio de articulações, parcerias e mecanismos legítimos do mercado de entretenimento nacional e internacional, sem utilização de recursos públicos.
Cumpre destacar, ademais, que conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos – sendo improcedente qualquer ilação em sentido contrário.
A GOUP Entertainment repudia, portanto, tentativas de associação indevida entre a produção cinematográfica e fatos externos desprovidos de comprovação documental, financeira ou contratual.
A produtora permanece à disposição das autoridades competentes e da imprensa para os esclarecimentos cabíveis, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a integridade de suas operações.
GOUP Entertainment
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