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Contas no vermelho e alta de impostos colocam economia como o grande desafio eleitoral de Lula

A arrecadação recorde virou uma das marcas do terceiro mandato de Lula (PT) na presidência da República, mas não resolveu o problema central das contas públicas: o déficit permanente. Com impostos em alta e gastos fora de controle, a fragilidade fiscal tem sido apontada por analistas como um dos principais riscos eleitorais do petista para a disputa eleitoral deste ano.

No ano passado, a arrecadação chegou ao recorde histórico de R$ 2,887 trilhões. Ainda assim, o governo fechou 2025 com as contas no vermelho, contabilizando um rombo 32% superior ao de 2024.

Como o crescimento do PIB em 2025 foi de 2,3%, a arrecadação acabou crescendo 1,35 ponto percentual acima do PIB. A diferença indica que os ganhos crescentes do governo, mais do que um reflexo da alta na produtividade, decorrem de outros fatores, como a criação e a ampliação de medidas arrecadatórias.

Como mostrou a Gazeta do Povo, até março deste ano, o governo Lula já havia editado 43 medidas de ampliação da carga tributária – uma nova iniciativa a cada 27 dias.

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Economia pode ser maior vulnerabilidade eleitoral de Lula

Lideranças da direita e do centro têm apontado a economia como um risco eleitoral significativo para Lula se reeleger. Para presidente do PSD, Gilberto Kassab, a alta de impostos e os déficits recorrentes são o principal ponto fraco do governo.

“Houve aumento de carga tributária, e muito, nem sempre gerando receita. A gente tem notícia de muitas empresas indo para o Paraguai, para o Uruguai, porque querem pagar menos impostos”, declarou Kassab à Folha de S.Paulo.

Para o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entretanto, a economia não será um fator decisivo na corrida eleitoral deste ano. Em entrevista no final de 2025, o ministro chegou a dizer que os alertas sobre a crise fiscal tratavam-se de “delírios”.

Apesar do déficit elevado em 2025, governistas consideram que a meta fiscal foi formalmente atingida. No entanto, o resultado só foi possível graças a manobras fiscais que mantiveram gastos fora da regra e à banda de tolerância de 0,25 ponto percentual prevista no arcabouço fiscal, o que equivale a cerca de R$ 31 bilhões para mais ou para menos.

Foram excluídos da meta gastos como os precatórios, o ressarcimento a aposentados e pensionistas vítimas de fraudes do INSS, projetos estratégicos de defesa e despesas temporárias de educação – somados, os gastos chegam a quase R$ 50 bilhões.

“Taxa de agiota” para financiar o governo

Os números de 2025 levaram o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, a afirmar que a fragilidade fiscal faz o país pagar uma “taxa de agiota” para financiar o governo. A IFI é um órgão independente ligado ao Senado que analisa as contas públicas.

“O governo, ao ficar no vermelho, precisa demandar empréstimos e crédito, e pressiona a taxa de juros que, por sua vez, chega a patamares que são os maiores do mundo. São taxas de agiota que a gente paga pela fragilidade fiscal, pela falta de consistência da nossa estrutura fiscal”, disse Pestana à GloboNews.

Brasil cobra muitos impostos e devolve pouco, diz estudo

Como apontou relatório da IFI de janeiro, é pouco provável que o governo promova cortes ou reestruturações relevantes no gasto público em razão do ano eleitoral. Mesmo assim, a criação de impostos se mantém como recurso recorrente. A taxação mais recente ocorreu em março, com cobrança de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e de 50% sobre a de diesel.

Luís Garcia, advogado tributarista e sócio da Tax Group, avalia que há pouco espaço para ampliar a tributação no Brasil, pois o país já opera com carga tributária bastante elevada – e sem o retorno esperado à população. Em 2025, a carga tributária bruta do governo federal correspondeu a 32,4% do PIB.

Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que, entre os 30 países com maior carga tributária do mundo, o Brasil apresenta o pior índice de retorno em serviços à população. Na liderança estão Irlanda, Suíça, Estados Unidos, Austrália e Israel.

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