sexta-feira , 10 abril 2026
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Ofensiva do governo destrava indicação de Messias, mas apoio segue indefinido

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de enviar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi precedida por uma ofensiva do governo para destravar o processo, mas não encerra a disputa por votos no Senado.

Nos bastidores, porém, o gesto de Alcolumbre também é associado a uma interlocução direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva três dias antes do envio da mensagem oficial com a indicação. Como noticiou o GLOBO, o petista se reuniu com o presidente do Senado, no Palácio da Alvorada, em um encontro que teve como objetivo principal reduzir resistências ao nome de Messias e destravar o início da tramitação.

Na conversa, Alcolumbre não deu garantia de aprovação do indicado, mas sinalizou a Lula que não atuaria para segurar o processo — desde que Messias avançasse na interlocução com os senadores e buscasse dissipar as ressalvas ainda existentes. A leitura no Planalto foi que o presidente do Senado havia deixado de ser um ponto de bloqueio político, ainda que sem se comprometer com o resultado final.

A reunião também contou com a presença do senador Rodrigo Pacheco, que era visto por Alcolumbre como uma alternativa para a vaga no Supremo, e incluiu discussões sobre seu futuro político em Minas Gerais. Para auxiliares de Lula, o movimento ajudou a reduzir tensões em torno da escolha e a reorganizar o ambiente no Senado.

A partir desse encontro, o governo ampliou a ofensiva política para consolidar o ambiente no Senado. Além da interlocução direta de Lula, entraram em campo o líder do governo na Casa, Jaques Wagner, e o líder no Congresso, Randolfe Rodrigues, que passaram a atuar junto a bancadas e senadores indecisos.

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco também foi envolvido na tentativa de reduzir resistências e reorganizar o ambiente político em torno da indicação, e chegou a conversar com seu padrinho.

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Na avaliação de interlocutores, o gesto adotado por Alcolumbre nesta semana, ao enviar a indicação à CCJ e destravar o calendário da tramitação, é visto como cumprimento do que foi sinalizado a Lula naquele encontro: não impedir o avanço do processo, mesmo sem endossar antecipadamente a aprovação do nome no plenário.

Após o envio da mensagem, a articulação no Senado ficou concentrada em um núcleo de aliados do Planalto, com atuação da senadora Eliziane Gama, além do presidente da CCJ, Otto Alencar, que participou diretamente da construção do calendário.

Ao longo das negociações, Alcolumbre passou a indicar a aliados que não seguraria o avanço da indicação. Segundo relatos, ele se reuniu com o senador Weverton Rocha, escolhido relator do caso, e, em seguida, telefonou para Otto Alencar para alinhar o calendário da tramitação, incluindo a previsão de realização da sabatina no dia 29 de abril.

A sequência de movimentos foi interpretada como o gesto que faltava para retirar a indicação da zona de incerteza em que se encontrava desde o envio pelo governo. Até então, o processo vinha sendo travado pela ausência de definição sobre o início formal da tramitação.

O avanço também foi precedido por uma semana de articulação mais concentrada. Na quarta-feira, Messias participou de um jantar com senadores no Lago Sul, em encontro organizado por Lucas Barreto, que reuniu cerca de 38 parlamentares. O evento funcionou como termômetro do ambiente político e espaço para conversas reservadas com integrantes da CCJ.

Messias chegou acompanhado de Otto Alencar e de Jaques Wagner e circulou entre os presentes em um ambiente desenhado para reduzir a formalidade da negociação. A presença do ministro do STF Cristiano Zanin foi interpretada como gesto de apoio ao indicado.

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A estratégia marcou uma mudança em relação aos meses anteriores, quando o foco estava no corpo a corpo em gabinetes. Desta vez, o governo concentrou esforços em organizar os apoios já mapeados e pressionar por um gesto institucional que permitisse o avanço da tramitação.

Apesar disso, aliados reconhecem que o envio à CCJ não resolve o principal desafio: consolidar maioria no colegiado. Messias precisa de ao menos 14 votos para ser aprovado na comissão, e o placar ainda é considerado incerto.

Como mostrou o GLOBO, o AGU tem cerca de dez votos declarados na comissão.

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Segundo interlocutores, o indicado já conversou com a maior parte dos senadores, mas ainda não teve diálogo com ao menos três parlamentares, entre eles o ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e nomes da oposição com influência na CCJ, como Sergio Moro e Hamilton Mourão.

— Ele sabe da minha posição e, portanto, não creio que deseje conversar comigo — afirmou Mourão ao comentar a possibilidade de diálogo com o indicado.

Fora da comissão, Messias também ainda não se reuniu com Alcolumbre.

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No plenário, a projeção entre aliados é de cerca de 48 votos, número visto como suficiente, mas sujeito a oscilações em razão do caráter secreto da votação. Na oposição, contudo, a previsão é mais contida, na casa dos 30 votos.

A expectativa agora é de que Messias retome o corpo a corpo com mais intensidade nas próximas semanas, já com a sabatina no horizonte, em uma tentativa de avançar sobre os votos ainda indefinidos. Nesta semana, ele esteve com Roberta Acioly, que assumiu a vaga de Messias de Jesus, que renunciou para assumir uma vaga no tribunal de contas do estado.

Nesses próximos vinte dias, ele vai refazer o périplo que fez em dezembro passado, passando principalmente por gabinetes de indecisos: os senadores de centro.

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Em nota divulgada nesta quarta-feira, Messias afirmou receber o calendário “com otimismo e serenidade” e indicou que pretende intensificar a articulação até a sabatina.

— Até a data da sabatina, permanecerei buscando o diálogo franco e aberto com todos os 81 senadores, de forma respeitosa, transparente e propositiva — disse.

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