sexta-feira , 10 abril 2026
💵 DÓLAR: Carregando... | 💶 EURO: Carregando... | 💷 LIBRA: Carregando...

Base governista reage a fala de Flávio e prepara contraproposta sobre terras raras

O Partido dos Trabalhadores (PT) deve apresentar na próxima semana um projeto de lei sobre minerais críticos e estratégicos como resposta às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) durante participação na CPAC, nos Estados Unidos, no fim de março. A proposta prevê a partilha de lucros com a União, nos moldes do pré-sal, e a proibição da exportação desses recursos para países em guerra.

O texto, de autoria do líder do PT, Pedro Uczai (SC), estabelece um novo marco para o setor mineral estratégico no país. Entre os principais pontos, está a criação da Empresa Brasileira de Mineração de Terras-Raras (TerraBras), uma estatal que terá como função pesquisar, explorar e gerir reservas consideradas essenciais para a soberania nacional e para a transição energética.

A empresa será estruturada a partir da atual Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), existente desde 1969.

A proposta também institui o regime de partilha da produção mineral, determinando que “a produção de minerais estratégicos ou críticos será repartida entre a contratada e o poder concedente”, em um modelo semelhante ao adotado no pré-sal.

O objetivo é garantir que o Estado receba parte direta do minério extraído, além de estimular a industrialização nacional e o beneficiamento desses recursos dentro do país.

Outro eixo central é o endurecimento das regras de exportação. O texto estabelece que fica “expressamente proibida a exportação de minerais críticos ou estratégicos para países que possam destiná-los ao desenvolvimento de armas, dispositivos explosivos convencionais, munições, armas de destruição em massa e ligas metálicas ou materiais compostos que venham a ser utilizados para a fabricação componentes eletrônicos em dispositivos da indústria bélica”.

Continua depois da publicidade

O trecho impõe, dessa forma, mecanismos de controle, certificação e rastreabilidade para evitar o uso desses insumos na indústria bélica internacional, ou seja, para evitar a venda para países em guerra, por exemplo.

Além disso, o projeto cria um programa nacional de incentivo à reciclagem de materiais que contenham elementos estratégicos, como terras raras, com foco na recuperação de insumos presentes em resíduos eletrônicos e industriais.

A medida busca reduzir a dependência de importações e estimular uma cadeia produtiva voltada à chamada “economia urbana”.

‘Brasil é solução para os EUA’

As declarações de Flávio, dadas no fim de março, reacenderam o debate sobre o controle e a destinação de recursos minerais estratégicos. No evento conservador, ele afirmou que o Brasil poderia ser uma alternativa para reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação à China no fornecimento de terras raras e minerais críticos.

— O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras raras e minerais críticos — afirmou ao público participante.

A fala provocou reação de integrantes do governo e de parlamentares de esquerda, que viram risco à soberania nacional.

Continua depois da publicidade

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o senador “se comprometeu publicamente a entregar” esses recursos a uma potência estrangeira, enquanto o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou a postura como “traição”.

A repercussão também trouxe de volta ao centro da agenda um projeto em tramitação na Câmara que trata do tema. A proposta, relatada pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), estabelece uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, com diretrizes para incentivar a exploração, o processamento e o desenvolvimento da cadeia produtiva no país.

O parecer, inicialmente previsto para o início de abril, foi adiado após pedido do governo para ampliar o diálogo sobre o texto.

Continua depois da publicidade

Segundo Jardim, a orientação partiu do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com aval do Colégio de Líderes. A proposta já teve urgência aprovada, mas o Executivo quer discutir ajustes e trata o relatório como base para a formulação de uma política nacional para o setor. A nova previsão é que o parecer seja apresentado em 20 de abril.

fonte

Verifique também

Leite indica apoio a Caiado, mas critica promessa de anistia ao 8 de Janeiro

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), se reuniu nesta quinta-feira, 9, …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *