terça-feira , 31 março 2026
💵 DÓLAR: Carregando... | 💶 EURO: Carregando... | 💷 LIBRA: Carregando...

Otan sem EUA? Por que o governo Trump ameaça sair da aliança ocidental

Na sexta-feira (27), o presidente Donald Trump colocou em dúvida a permanência do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao criticar a falta de apoio de aliados europeus nas operações militares israelenses e americanas contra o Irã. Nesta segunda-feira (30), o secretário de Estado Marco Rubio reforçou o tom do presidente ao classificar como “muito decepcionante” em entrevista à Al Jazeera a recusa de países da aliança em permitir o uso de bases e espaço aéreo pelos EUA durante o conflito.

O principal motivo por trás das ameaças de Trump reside na avaliação de que os Estados Unidos não estão recebendo contrapartidas estratégicas proporcionais ao seu papel dentro da aliança militar ocidental. Segundo disse o presidente em discurso na sexta, Washington arca com grande parte dos custos de defesa da Otan, mas não obteve apoio em uma operação considerada crítica para seus interesses.

“Gastamos centenas de bilhões de dólares por ano protegendo eles […] mas agora […] acho que não precisamos estar [mais na Otan]”, afirmou Trump na ocasião.

Países membros da Otan, principalmente os europeus, têm evitado envolvimento direto na guerra, alegando que o confronto com o Irã não aciona os mecanismos de defesa coletiva da aliança. Segundo esse entendimento, o tratado militar só prevê atuação conjunta em caso de ataque direto contra um de seus integrantes – o que, até agora, não foi formalmente reconhecido, mesmo após episódios como ataques com drones e mísseis contra bases britânicas e a violação do espaço aéreo da Turquia.

Nos bastidores, integrantes da Otan afirmam que a operação contra o Irã não foi previamente coordenada com os parceiros europeus, o que contribuiu para a resistência em aderir à ofensiva.

A indignação de Trump com os países da Otan aumentou ainda mais após as principais potências europeias da aliança – Reino Unido, França e Alemanha – recusarem participar de uma coalizão liderada pelos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo que se tornou um dos focos centrais do conflito. Esses países até demonstraram disposição para contribuir com a segurança da navegação na região, mas sem envolvimento militar ofensivo. Após a recusa, Trump chamou os aliados de “covardes” e afirmou que os Estados Unidos “vão lembrar” da postura adotada.

Em publicação nas redes sociais na última semana, o presidente Trump afirmou que os Estados Unidos “nunca se esquecerão” da falta de apoio da Otan na guerra contra o Irã e voltou a afirmar que os países da aliança “não fizeram absolutamente nada” para ajudar os EUA e Israel no conflito.

O secretário Rubio disse na entrevista desta segunda que a negativa de países europeus – como a Espanha – em autorizar o uso de bases e espaço aéreo para operações contra o Irã levantou ainda mais dúvidas dentro do governo Trump sobre os benefícios práticos de seguir integrando a Otan.

“Se a Otan serve apenas para que os Estados Unidos defendam a Europa, mas nos nega direitos de utilização de bases quando precisamos, esse não é um arranjo muito bom”, declarou. Ele acrescentou que toda a relação com a aliança “terá de ser reexaminada” após o fim da operação militar em curso no Oriente Médio.

A Espanha se tornou um dos principais pontos de atrito dentro da aliança ocidental ao impedir que os EUA utilizassem seu território e espaço aéreo para ações militares. O governo do premiê socialista Pedro Sánchez fechou o espaço aéreo do país para voos militares dos EUA envolvidos na guerra contra o Irã e proibiu o uso das bases de Rota e Morón na operação americana e israelense contra o regime islâmico.

As ações da Espanha foram duramente criticadas pela Casa Branca, que inclusive ameaçou aplicar sanções comerciais contra o país europeu. O premiê socialista Sánchez tem sido um dos principais críticos da ofensiva contra Teerã. As críticas dele foram inclusive alvos de agradecimento por parte do regime iraniano.

As ameaças dos EUA ocorrem em um momento em que a própria aliança tenta manter coesão interna. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou na semana passada que o bloco segue fortalecido e destacou o aumento dos investimentos em defesa por parte dos países europeus, impulsionado pelas pressões de Trump.

Ainda na semana passada, Rutte disse, após as críticas de Trump, que mais de 30 países da aliança já se comprometeram a discutir medidas para garantir a reabertura do Estreito de Ormuz, incluindo parceiros fora da aliança. No entanto, até o momento, não há definição clara sobre participação militar direta da aliança nessas ações.

fonte

Verifique também

Portugal sediará evento anti-imigração com ingressos no valor de até R$ 2 mil

A cidade do Porto, em Portugal, vai sediar no dia 30 de maio o “Remigration …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *