A cidade de São Paulo sedia, desde o fim de semana, a Conferência Masar Badil, evento internacional ligado à esquerda radical e a organizações banidas por terrorismo e antissemitismo em vários países. O movimento Masar Badil se apresenta como um “caminho alternativo” para a defesa da Palestina e realizou eventos entre o sábado e esta segunda, encerrando atividades na terça-feira.
Ao longo destes quatro dias, atividades públicas defenderam abertamente a “resistência” do Irã contra os EUA e, indiretamente, a destruição do Estado de Israel. Embora se autodenomine independente, o movimento trouxe como convidados representantes do Samidoun e da Frente Nacional pela Libertação da Palestina (FNLP), grupos banidos em diversos países por antissemitismo e vínculos com terrorismo.
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O Masar Badil se descreve como um movimento popular “de defesa do povo palestino” que se define como “de massa”, vinculado à chamada “diáspora palestina” decorrente da ocupação de territórios antigamente pertencentes à Palestina por Israel.
Fundado em 2021, com conferências simultâneas em Madri, Beirute e São Paulo, posiciona-se como uma opção “revolucionária” à diplomacia oficial. Isso ocorre porque o grupo rejeita os tratados de Oslo e a solução de dois Estados — modelo que prevê o reconhecimento mútuo de Israel e da Palestina como estados.
“A escalada recente dos Estados Unidos e da ocupação israelense contra o Irã confirma que a Ásia Ocidental segue no centro de uma ofensiva imperial que ameaça toda a região. Essa política de guerra se soma aos ataques contínuos contra a Palestina, o Líbano, a Síria, o Iêmen e o Iraque, revelando uma estratégia sistemática de dominação e desestabilização contra os povos que resistem”, diz o site da convocação oficial.
O movimento defende a “libertação total” da Palestina “do rio ao mar”. Na prática, o termo é considerado um slogan antissemita porque prega a destruição do Estado de Israel, segundo organizações como o American Jewish Committee (AJC).
Independente de interpretações, a frase é, desde 2012, o lema oficial do grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza e foi responsável pelos ataques de outubro de 2023 contra Israel — o maior massacre contra judeus desde a Segunda Guerra Mundial.
Apoio aberto ao Irã
O vínculo com grupos radicais não inibiu o apoio de legendas da esquerda brasileira radical, como o Partido da Causa Operária (PCO). A agremiação compareceu ao evento, organizado como uma manifestação contra o “genocídio” palestino, representada pelo dirigente João Pimenta — filho e herdeiro político do presidente do partido, Rui Costa Pimenta.
Em seu discurso, ele cobrou maior apoio do governo Lula ao regime iraniano e ao que chamou de “Eixo da Resistência” ao imperialismo norte-americano, coalizão dos “mártires” que inclui Irã, Líbano e Palestina. A morte de Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo a Teerã, é chamada por ele de “martírio”.
“Nesse último mês, eles mostraram que é possível parar a máquina de guerra de Israel. Esses companheiros, tanto do Hezbollah, do Hamas e da Jihad Islâmica, quanto do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, mostraram que não temos que ter medo do imperialismo”, afirmou Pimenta, de acordo com a transcrição publicada pelo jornal Diário da Causa Operária, órgão de comunicação do partido.
Interesse no “Sul Global”
O evento na Avenida Paulista aproveitou a coincidência com o “Dia da Terra”, celebrado em 30 de março, que simboliza a resistência ao colonialismo. A escolha do Brasil como sede é vista como estratégica pelos organizadores, que citam a suposta “influência sionista” na economia e a prevalência dos evangélicos no país, mas também a força de partidos e movimentos populares de esquerda.
A Samidoun foi banida pelo governo alemão em 2023 sob a acusação de disseminar propaganda antissemita e apoiar o Hamas. Segundo as autoridades da Alemanha, integrantes do grupo celebraram abertamente os ataques terroristas de outubro de 2023 contra Israel. Além disso, coordenadores da rede na Europa já enfrentaram prisões e ordens de deportação por serem considerados ameaças à segurança nacional em países como a Grécia e a Bélgica.
De acordo com os EUA, a Samidoun “serve como fachada para o grupo em países onde a FNLP é declarada organização terrorista. Embora a organização supostamente apoie prisioneiros palestinos e seus familiares, na prática Samidoun oferece apoio financeiro ao FNLP sancionado”, justifica o comunicado do governo americano.
“Do rio ao Mar”
A expressão “Do rio ao mar” se refere ao Rio Jordão e ao Mar do Mediterrâneo, tendo sido usada pela primeira vez em 1964 pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Geograficamente, é “perfeitamente claro” que o slogan “Do rio ao mar” fala de um trecho de terra entre Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
Então, uma Palestina “do rio ao mar” só poderia implicar em riscar Israel do mapa, conforme escreveu o colunista Thomas Latschan na agência alemã Deutsche Welle em 2023, ano em que a Alemanha proibiu seu uso por ser uma expressão de discurso de ódio e antissemitismo.
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