sexta-feira , 27 março 2026
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STF encerra CPMI do INSS, ministros criticam parlamentares e isolam Mendonça

Por 8 votos a 2, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) negou, nesta quinta-feira (26), a prorrogação da CPMI do INSS, que investiga descontos fraudulentos na aposentadoria de idosos e pensões de viúvas e órfãos. A decisão representa uma derrota para o ministro André Mendonça, que, atendendo a um pedido da oposição, havia mandado o Congresso estender a duração da comissão.

Além de isolar Mendonça – que também supervisiona as investigações da Polícia Federal sobre o esquema –, o julgamento também serviu para uma ala poderosa dos ministros atacar os rumos da investigação no Congresso. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes criticaram duramente o vazamento de dados sigilosos e uma suposta ampliação do escopo da CPMI – parlamentares passaram a investigar o Banco Master, em razão de descontos indevidos em operações de crédito consignado.

O avanço das investigações sobre o Master estarreceu parte dos ministros, em razão de novas revelações da relação próxima do dono do banco, Daniel Vorcaro, com o ministro Alexandre de Moraes. O temor era de que a obtenção de mais dados do celular do banqueiro demonstrasse mais ligações com ele, com Dias Toffoli e outras autoridades.

A CPMI foi instalada em agosto do ano passado e, apesar da forte obstrução da base governista, prendeu 14 pessoas, tomou dezenas de depoimentos e obteve quase 2 mil documentos sobre as fraudes. O objetivo da cúpula, dominada pela oposição, era prorrogar os trabalhos por mais 120 dias e aprofundar a apuração sobre o crédito consignado (empréstimos pagos com desconto automático no salário).

O pedido de prorrogação foi apresentado em dezembro ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, com assinatura de 175 deputados e 29 senadores, acima do mínimo exigido para a criação de uma CPMI. Alcolumbre se recusou a receber e a despachar sobre o pedido, o que levou a oposição a acionar o STF para obter a extensão.

A maioria dos ministros, no entanto, entendeu que, cumpridos os requisitos (apoio suficiente e fato determinado), a criação da CPMI é obrigatória, mas não a prorrogação. Prevaleceu o argumento de que se trata de uma questão interna do Congresso, sobre a qual o STF não poderia intervir. Com isso, a comissão deverá encerrar seus trabalhos até sábado (28) – a leitura do relatório final deve ocorrer nesta sexta (27).

Derrotados no debate, André Mendonça e Luiz Fux argumentaram que a investigação no Parlamento é um direito da minoria. Assim, o cumprimento dos requisitos para a criação da CPMI também daria o direito à prorrogação.

Durante o julgamento, no entanto, os ministros mais influentes da Corte passaram a criticar os rumos da investigação. Gilmar Mendes repreendeu diretamente dirigentes e integrantes da CPMI presentes no plenário do STF, dizendo que o vazamento de dados de Vorcaro foi “indigno” e quebras de sigilo aprovadas em bloco, sem análise individualizada, foram feitas “sem escrúpulos” pelos parlamentares.

“O juiz que decide sem fundamentação produziu um nada jurídico. E quando os senhores se investem neste poder têm que atuar como juízes. Como também é deplorável que quebrem sigilo e divulguem, vazem. Abominável”, afirmou Gilmar.

Alexandre de Moraes – mencionado em diversas mensagens de Vorcaro obtidas pela CPMI – disse que o vazamento foi “criminoso” e apontou um “desvio de finalidade” da investigação. “Se desvirtuou e quer uma prorrogação automática do desvirtuamento. Absolutamente inconstitucional”, disse. “Nós poderíamos lembrar o perigo das comissões parlamentares de inquérito simplesmente ignorarem o fato determinado e irem, como relembrou o ministro Gilmar, pelas franjas”, afirmou ainda.

Flávio Dino sustentou que a Constituição determina que CPIs tenham “prazo certo” e que prorrogações automáticas poderiam levar a devassas abusivas.

“Essa CPMI já teve oportunidade de apreciar 1.002 quebras de sigilo. Um poder dessa dimensão, além de exigir a responsabilidade a que o ministro Gilmar aludiu, exige também contenção em um prazo, sob pena de se transformar isto aqui num inquérito geral, de investigação, de regimes autoritários, em que se faz autêntica pescaria probatória de modo indefinido e sem fundamentação”, afirmou o ministro.

Flávio Dino proferiu o primeiro voto para negar a prorrogação da CPMI e foi acompanhado depois por Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Edson Fachin. Os cinco últimos evitaram críticas aos parlamentares e aos rumos da investigação; se concentraram em argumentar que a questão deveria ser resolvida internamente e que a Constituição não garante direito líquido e certo à prorrogação, como ocorre na criação de CPIs.

Fim da CPMI do INSS frustra oposição, que elogia André Mendonça

Parlamentares que integram a CPMI e assistiram ao julgamento deixaram o STF frustrados com o resultado, mas destacaram o avanço das investigações no Congresso. Ainda manifestaram confiança em Mendonça, que supervisiona as investigações da Polícia Federal sobre o INSS e também sobre as fraudes financeiras do Banco Master.

“O que assistimos aqui foi o fim do sonho dos aposentados brasileiros que foram roubados de ver uma investigação seguir em frente e chegar a todas as áreas do poder em nosso país, que infelizmente têm membros envolvidos nesse golpe milionário contra a Previdência brasileira”, desabafou o presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG).

“Espero que nosso trabalho seja reconhecido pela Procuradoria da República, que essas pessoas sejam indiciadas, que respondam a processos, sejam condenadas e que continuem na cadeia, principalmente os 14 que estão presos e fazem parte dos núcleos principais. Nós fizemos a nossa parte, e nossa obrigação”, disse, acrescentando que obstruções da base governista também impediram avanço maior nas investigações.

Autor do pedido de prorrogação, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) disse que o STF também contribuiu para frear as investigações.

“Quanto mais perto vai chegando do STF uma investigação, maior a reação deles. E nesse caso, nós vemos que há inclusive ministros, esposas de ministros, que são mencionados no escândalo do Banco Master, que foi o primeiro na questão do consignado. Lamentavelmente, existe sim essa blindagem e o papel do Supremo hoje foi, na verdade, assassinar o trabalho parlamentar de investigação”, afirmou o deputado.

Líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) lamentou a derrota de André Mendonça no julgamento. Questionado se ele sai enfraquecido no STF, respondeu que “quem pode fazer esse julgamento é o povo brasileiro”. “Quem está do lado da investigação, de punir os corruptos e que roubaram os aposentados, e quem está querendo proteger quem roubou. Esse julgamento quem faz é o povo”, disse.

André Mendonça segue na relatoria das investigações do INSS no STF e também no inquérito sobre o Banco Master. Caberá a ele homologar a delação premiada de Vorcaro, em fase de negociação com a PF, e autorizar a abertura de novas investigações a partir dos relatos e provas a serem entregues pelo banqueiro.

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