domingo , 29 março 2026
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PF mira Fictor, que tentou comprar o Master, por fraudes contra a Caixa e ligação com o CV

O Grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master no ano passado, é alvo de uma nova operação da Polícia Federal que apura um esquema de fraudes financeiras contra a Caixa Econômica Federal que podem passar de R$ 500 milhões, e que pode ter ligação com o Comando Vermelho.

De acordo com informações confirmadas à Gazeta do Povo por fontes a par da investigação, entre os alvos da Operação Fallax estão o CEO do Fictor, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Rubini, apontados como peças-chave no suposto esquema. A apuração foi iniciada em 2024 e identificou indícios de uma estrutura organizada voltada à obtenção de vantagens ilícitas dentro do sistema financeiro.

“O grupo criminoso atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas, inclusive vinculadas a grupo econômico específico, para a movimentação de valores e para a ocultação de recursos ilícitos”, explicou a Polícia Federal em nota.

O Grupo Fictor confirmou à reportagem que Góis foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência, com a apreensão de seu telefone celular, e que “tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos” (veja na íntegra mais abaixo).

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Há a suspeita de que outros bancos foram atingidos pelo esquema. À Gazeta do Povo, a Caixa Econômica Federal afirmou que “atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro”.

“A operação deflagrada é resultado direto de investigações conduzidas pelas autoridades competentes, com as quais a empresa colabora integralmente, reiterando seu respeito às instituições e destacando a lisura, a boa-fé e a conformidade da atuação de seus dirigentes”, completou na resposta à reportagem (veja na íntegra mais abaixo).

Já a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) não comentou diretamente sobre esta operação, mas afirmou que, junto do setor bancário, “mantêm uma cooperação permanente com o Ministério Público e as polícias Federal e estaduais, visando otimizar a identificação de crimes e a punição de infratores”.

“Essa sinergia baseia-se na troca contínua de inteligência e dados estratégicos para subsidiar o trabalho das autoridades. […] Entre 2018 e 2025, foram deflagradas cerca de 678 operações, resultando no cumprimento de 1.741 mandados de busca e apreensão e na realização de 311 prisões”, afirmou em nota (veja na íntegra mais abaixo).

Prisões e apreensões

Na operação desta quarta (25), a Polícia Federal cumpre 21 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. As ações ocorrem em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Pelo menos 14 pessoas foram presas até o final da manhã.

Os mandados cumpridos no Rio de Janeiro têm como alvos pessoas ligadas à facção criminosa Comando Vermelho, investigadas neste mesmo esquema envolvendo o Fictor.

A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, até o limite de R$ 47 milhões. Até o momento, já foram apreendidos relógios de luxo, aparelhos eletrônicos e quantidades de dinheiro em espécie.

“A organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento”, detalhou a Polícia Federal.

A operação também autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas, ampliando o alcance das investigações. O objetivo é rastrear o fluxo financeiro e identificar todos os envolvidos no esquema.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão, caso haja condenação.

O que dizem os citados

Veja abaixo o posicionamento na íntegra da Caixa Econômica Federal sobre a operação desta quarta (25) da Polícia Federal:

A CAIXA informa que atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro. A operação deflagrada é resultado direto de investigações conduzidas pelas autoridades competentes, com base em informações e comunicações realizadas pelo banco no curso regular dos mecanismos de monitoramento e notificação de indícios suspeitos.

A CAIXA reitera que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, alinhadas às melhores práticas de mercado, à legislação vigente e às normas dos órgãos reguladores. Sempre que identificadas movimentações atípicas ou evidências de irregularidades, os casos são imediatamente reportados aos órgãos competentes, colaborando de forma ativa com as investigações.

A CAIXA reafirma seu compromisso com a integridade, a transparência e a proteção do patrimônio público, bem como com a pronta adoção de todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para responsabilização dos envolvidos e ressarcimento de eventuais prejuízos, quando aplicável.

Por envolver investigação em curso, a CAIXA respeita o sigilo legal do processo e reforça que eventuais esclarecimentos adicionais devem ser solicitados às autoridades responsáveis pela operação.

Veja abaixo o que disse o Grupo Fictor sobre a operação desta quarta (25):

 Foi realizada hoje diligência de busca e apreensão na residência de Rafael Góis, CEO da Fictor, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal. Apenas o seu celular foi apreendido.

Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos.

Veja abaixo o que disse a Febraban sobre a operação:

A Febraban e o setor bancário mantêm uma cooperação permanente com o Ministério Público e as polícias Federal e estaduais, visando otimizar a identificação de crimes e a punição de infratores. Essa sinergia baseia-se na troca contínua de inteligência e dados estratégicos para subsidiar o trabalho das autoridades.

Um exemplo consolidado dessa articulação é o Projeto Tentáculos, idealizado em 2007 em parceria com a Polícia Federal. A iniciativa, que atualmente reúne 71 instituições financeiras, centraliza notícias-crime de fraudes em um repositório unificado, conferindo maior agilidade às investigações. Os resultados refletem a eficiência do modelo: entre 2018 e 2025, foram deflagradas cerca de 678 operações, resultando no cumprimento de 1.741 mandados de busca e apreensão e na realização de 311 prisões.

Fictor pediu recuperação após escândalo do Master

No começo do mês passado, o Grupo Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo afirmando ter dívidas acumuladas de R$ 4,3 bilhões por conta da tentativa frustrada de compra do Banco Master.

o Grupo Fictor atribui sua crise financeira a uma forte perda de credibilidade no mercado. A empresa afirma que a tentativa frustrada de compra do Banco Master desencadeou uma “crise reputacional” com impacto direto na liquidez.

“O pedido de recuperação judicial é consequência da crise de liquidez momentânea originada a partir de 18 de novembro do ano passado”, alegou.

A empresa sustenta que, após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, “a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado”, o que teria provocado uma onda de notícias negativas.

De acordo com a Fictor, até a véspera da liquidação do banco, o grupo havia recebido cerca de R$ 3 bilhões em aportes de seus sócios. Após esse episódio, os pedidos de resgate teriam alcançado aproximadamente 71% desse valor, pressionando ainda mais o caixa.

O grupo também informou que sofreu cortes e revisões de contratos comerciais em razão da perda de confiança. Como consequência, afirmou ter sido obrigado a vender ativos considerados estratégicos para tentar recompor sua posição financeira.

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