terça-feira , 24 março 2026
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Tarcísio avisa a Valdemar que vai manter vice para a campanha à reeleição

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), avisou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que manterá o atual vice, Felício Ramuth (PSD), na chapa de reeleição em 2026. O anúncio oficial ainda depende, contudo, de uma conversa entre o chefe do Executivo paulista e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, secretário estadual de Governo, que deve ocorrer ainda esta semana.

O GLOBO apurou com interlocutores do governador que essa conversa com Kassab chegou a ser marcada na segunda-feira passada, mas precisou ser adiada por motivos de agenda. No caso de Valdemar, a decisão foi comunicada hoje. O processo precisa ser concluído em breve para manter a previsão de anúncio ainda este mês e acertar agenda com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Esse primeiro ato de pré-campanha era esperado para o próximo dia 30, mas existe a possibilidade de Flávio, ungido candidato a presidente pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, estar nos Estados Unidos na mesma data. A ideia é conciliar os compromissos de modo a impulsionar as duas campanhas — a exemplo do futuro adversário Fernando Haddad (PT) com o presidente Lula.

A escolha de Ramuth frustra tanto Kassab quanto o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), André do Prado (PL), o candidato de Valdemar. Prado participou de um evento no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda-feira, 23. O político subiu ao palco, discursou e sentou ao lado do vice. Sem perspectiva de ocupar o cargo, agora ele é cotado para a segunda vaga ao Senado.

A disputa pela posição na chapa ou por uma eventual sucessão de Tarcísio levou a um mal-estar entre Kassab e Ramuth. Existe o temor, pelos lados do vice atual, de que o concorrente crie obstáculos em nível partidário para a sua indicação. Ele deseja, assim, uma garantia de que irá novamente às urnas para manter a filiação ao PSD. Partidos como MDB e mesmo o PL surgem como destinos alternativos.

Valdemar, da mesma forma, passou a trabalhar ativamente pela escolha de Prado, pelo menos, desde fevereiro. Nesse meio tempo, fez declarações públicas de que o PL deveria ser contemplado por ter cedido a vaga na eleição passada. Tarcísio rebateu a fala dizendo que “não existe esse negócio de direito de partido”. Nos bastidores, ele criticou o apetite do partido de Bolsonaro e sustentou que apresenta capital político mais do que suficiente para fazer uma opção particular.

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Tarcísio apresenta um histórico de não reagir bem a pressões externas. Ele resistiu, por exemplo, a trocar o secretário de Educação, Renato Feder, e o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, quando estiveram no centro de polêmicas do mandato. Feder, por se manter no quadro societário da Multilaser no mesmo período em que a empresa assinou contrato de fornecimento de notebooks para a administração paulista; Derrite, diante dos sucessivos flagrantes de violência policial no estado.

No caso de Ramuth, ele enfrenta desgaste por conta de uma investigação em Andorra por suspeita de lavagem de dinheiro. O procedimento resultou no bloqueio de US$ 1,4 milhão de uma conta atribuída ao casal. Ele diz que não existe nenhuma acusação formal e que os recursos são lícitos, frutos de atividade privada antes de ocupar cargos públicos, e declarados à Receita Federal.

Dentro da Alesp, alguns deputados mobilizaram colegas para assinatura de uma carta aberta de apoio a Prado, que seria entregue ao próprio presidente da Casa — e não ao governador, por receio de a medida ser interpretada como método de pressão. Um parlamentar do PL confidenciou, sob reserva, que a iniciativa empacou justamente por isso. O GLOBO procurou Prado, mas ainda não teve retorno.

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