A Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí, na noite de domingo (15), um desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que incluiu referências a adversários políticos e a pautas defendidas pelo governo. A apresentação gerou reação imediata de parlamentares da oposição, que classificaram o conteúdo como campanha antecipada.
O enredo citou o ex-presidente Michel Temer (MDB) e retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como “Bozo”, em referência ao personagem de televisão. A escola também apresentou alas com menções à taxação de bilionários, bancos e casas de apostas, além da defesa do fim da escala de trabalho 6×1, proposta defendida por Lula.
Uma das alas defendeu explicitamente o fim da escala 6×1, tema que o presidente tem sinalizado discutir em ano eleitoral. A pauta foi apresentada como bandeira trabalhista, alinhada ao discurso histórico do petista.
Oportunidade com segurança!
A oposição reagiu nas redes sociais e no Congresso. Parlamentares do PL e outros partidos de oposição afirmaram que o desfile teve caráter político-eleitoral e questionaram o uso de recursos públicos destinados às escolas do Grupo Especial. Nesta segunda (16), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que acionará o TSE contra o que ele vê como “crimes” cometidos pela homenagem.
Aliados do governo sustentaram que o Carnaval historicamente aborda temas políticos e que não houve pedido explícito de votos na avenida.
Presença de Lula e ministros
O presidente chegou à Sapucaí por volta das 20h25 de domingo e permaneceu no camarote da Prefeitura do Rio por mais de oito horas. Ele deixou o local às 4h53 da madrugada de segunda-feira, acenando pela janela do carro a apoiadores que gritavam seu nome.
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Lula foi ovacionado pelo público ao aparecer na fachada do camarote ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Aos gritos de “olê, olê, olá, Lula, Lula”, foi aplaudido antes do início do desfile da Acadêmicos de Niterói e novamente quando a escola entrou na avenida, às 22h. Em frente ao camarote, um folião estendeu uma faixa da campanha presidencial de 2022.

O espaço reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além de ministros como Camilo Santana (Educação), Alexandre Padilha (Saúde), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Esther Dweck (Gestão), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Margareth Menezes (Cultura). Também estiveram presentes o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Todos evitaram declarações à imprensa, assim como o próprio presidente.
Entre os convidados estavam atores como Denise Fraga, Humberto Carrão, Silvero Pereira, Paulo Vieira e Elisa Lucinda.
Sob alerta de possíveis acusações de propaganda eleitoral irregular, o Palácio do Planalto impediu a participação de ministros no desfile e vedou o uso de verba pública para custear a presença na Sapucaí. A primeira-dama Janja da Silva foi liberada por não ocupar cargo público, mas optou por acompanhar o presidente apenas como espectadora. A cantora Fafá de Belém ocupou seu lugar no desfile.
A homenagem da Acadêmicos de Niterói ao presidente ocorreu após o Tribunal Superior Eleitoral ter rejeitado tentativas de barrar o enredo antes da apresentação, embora tenha alertado para a necessidade de evitar atos que configurem propaganda antecipada.
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