quinta-feira , 12 fevereiro 2026
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FMI diz que Bolsa Família não desencoraja mulheres no mercado de trabalho

O Fundo ⁠Monetário Internacional (FMI) avalia que o programa Bolsa ⁠Família não tem reduzido sistematicamente a participação de mulheres na ‌força de trabalho no Brasil e aponta a disparidade salarial entre gêneros como um dos fatores que pode desencorajar a participação feminina ‌no mercado de emprego.

‘Constatamos que não, o Bolsa Família parece não reduzir sistematicamente a participação na força de trabalho. Exceto para mulheres com crianças até seis anos, em que o benefício está associado a uma menor participação feminina’, apontou o FMI em um relatório assinado pela ⁠economista ‌Bunyada Laoprapassorn e divulgado nesta quarta-feira.

Segundo o fundo, mulheres tendem ⁠a receber salários mensais 22% inferiores aos recebidos por homens — em comparações que levam em conta a escolaridade, a idade, a raça, o setor e o cargo — e a avaliação é que essa disparidade pode levar mulheres, beneficiárias do Bolsa Família ou ​não, a preferir ficar em casa e cuidar dos filhos mais novos a ingressar no mercado de trabalho.

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O valor mensal ​do Bolsa Família, que beneficia aproximadamente 50 milhões de pessoas no país, é de cerca de R$680 para famílias que mantêm seus filhos na escola e cumprem com condicionalidades de saúde como vacinação básica.

O fundo destacou que a recuperação dos indicadores de trabalho ‌para níveis anteriores à pandemia de Covid-19, com ​a taxa de desemprego atualmente nos menores níveis em cerca de 25 anos, deixou mulheres para trás em relação aos homens e citou a redução na diferença ⁠nas taxas de participação ​no mercado de ​trabalho entre os gêneros como um fator que poderia fortalecer a atividade econômica.

‘Nossas estimativas sugerem ⁠que reduzir pela metade a diferença ​nas taxas de participação na força de trabalho de homens e mulheres, de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, poderia elevar o crescimento anual ​do Brasil em cerca de 0,5 ponto percentual durante esse período’, disse o relatório.

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Entre os principais elementos que podem ​reduzir essa desigualdade, ⁠o FMI citou ajustes a regras do Bolsa Família, sobretudo após contratação para vagas formais, ⁠com o intuito de reduzir possíveis desincentivos ao trabalho remunerado.

O fundo também apontou a ampliação do acesso a creches e serviços de assistência a idosos, ajustes na política de licença parental e a implementação eficaz da Lei da Igualdade Salarial como possíveis soluções para essa disparidade.

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