O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou no início da noite desta quarta-feira à Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência, para participar de um jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e líderes do Congresso. O encontro ocorre em meio às versões divergentes entre Palácio do Planalto e comando da Câmara sobre a votação do projeto que abre espaço para servidores do Legislativo receberam remunerações acima do teto constitucional.
De um lado, integrantes do governo afirmam que não sabiam da votação do texto. De outro, Motta sustenta que o líder de Lula na Casa, deputado José Guimarães (CE), havia sido informado.
Embora o jantar estivesse previsto na agenda política da semana, o encontro ganha peso diante do mal-estar instalado após a votação acelerada do projeto de pessoal. Mais cedo, a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) afirmou que o Planalto não integrou tratativas para a aprovação da proposta nem firmou compromisso com o texto.
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Motta, por sua vez, declarou que Guimarães participou da reunião que definiu a pauta e deu aval ao encaminhamento, argumento usado para sustentar que houve alinhamento com o governo. Guimarães e Gleisi também participam do jantar.
Líderes próximos ao deputado também ironizaram a postura do governo, afirmando que o Planalto deseja arbitrar em todas as pautas do Congresso, afim de colocá-lo como inimigo.
Interlocutores do Planalto avaliam que a reunião desta noite servirá para “acalmar a curva” e evitar que o episódio contamine a relação com a Câmara num momento em que o governo depende do Congresso para avançar em agendas prioritárias no início do ano legislativo.
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Do lado da Casa, o gesto é tratado como parte da rotina institucional, mas há o reconhecimento de que o encontro oferece espaço para acertar versões e reduzir o desgaste político.
Nos bastidores, líderes governistas buscam uma saída intermediária na sanção presidencial. O intuito é que Lula preserve os acordos salariais já negociados no Executivo e vete o trecho que permite remunerações acima do teto constitucional, ponto que gerou maior repercussão negativa. Um veto integral é visto como improvável, tanto pelo impacto fiscal já incorporado ao Orçamento quanto pelo risco de atrito direto com a Câmara.
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