terça-feira , 3 fevereiro 2026
💵 DÓLAR: Carregando... | 💶 EURO: Carregando... | 💷 LIBRA: Carregando...

O que as pesquisas eleitorais de janeiro indicam sobre Lula, Flávio e Tarcísio?

O mês de janeiro terminou com a divulgação de quatro das principais pesquisas de intenção de voto para a Presidência em 2026: AtlasIntel, Quaest, Meio/Ideia e Paraná Pesquisas.

Com resultados semelhantes, os levantamentos apontam para uma liderança sólida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, mas indicam um cenário apertado e incerto no segundo turno contra possíveis candidatos da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Para o cientista político e professor da UFRJ Jorge Chaloub, o desempenho de Lula na primeira rodada de pesquisas precisa ser analisado sob um prisma mais amplo, considerando tratar-se de um candidato presente nas cédulas eleitorais desde 1989.

Oportunidade com segurança!

“Lula é o principal candidato na cabeça do eleitor. Todo mundo o conhece — pode ser pela rejeição, mas todos o conhecem. Isso quer dizer que ele está eleito? Não. Mas me sugere que os números sejam lidos com muita moderação”, diz.

Chaloub destaca que o alto índice de rejeição ao governo reforça a percepção de que a eleição de 2026 pode repetir o padrão de 2022, com uma disputa acirrada entre Lula e a oposição à sua figura.

O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas, apontado pela Paraná Pesquisas, reforça a leitura de que a corrida presidencial tende a ser marcada novamente pela polarização entre lulismo e bolsonarismo, segundo o analista político Leopoldo Vieira.

Continua depois da publicidade

O último levantamento do instituto, divulgado na quinta-feira (29), mostra que, em um eventual segundo turno, Lula tem 44,8% contra 42,2% de Flávio — empate técnico dentro da margem de erro. O cenário é semelhante com Tarcísio, que soma 42,5% ante 43,9% do petista.

Na avaliação de Vieira, o principal desafio de Lula para 2026 será reverter o quadro em que a desaprovação supera a aprovação — acima de 50% na maioria das pesquisas. Esse fator pode reforçar a expectativa de vitória da oposição, influenciar indecisos e atrair aliados políticos interessados em construir força no Congresso.

“Essa alta rejeição reflete a polarização e, por isso, pode alcançar também qualquer nome da oposição que se consolide como principal adversário de Lula. Esse opositor, por sua vez, tende a crescer até perto do empate técnico”, destaca.

Para o analista, o retorno da polarização sugere que, novamente, o eleitorado não se sente seguro em migrar para uma terceira via, por não enxergar alternativas mais fortes — o que pode frustrar candidaturas como as dos governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG).

Oportunidade e queda

A despeito das previsões iniciais feitas a partir das pesquisas de dezembro, o avanço de Flávio Bolsonaro indica uma candidatura mais consolidada como representante do bolsonarismo. Ainda assim, o senador enfrenta o desafio de herdar a totalidade dos votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No levantamento de novembro, pouco tempo após anunciar a pré-candidatura, o filho do ex-presidente marcava 23,1% das intenções de voto. Em dezembro, ele já havia subido para 29,3%, sinalizando consolidação do seu nome para 2026.

Continua depois da publicidade

Na última AtlasIntel, Lula registra 48,4% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece em segundo, com 28%, seguido por Tarcísio, com 11%. Em um cenário sem o governador, o filho de Bolsonaro sobe para 35% no primeiro turno.

“Quando pensamos no campo da direita, o cenário ainda é de incerteza. É claro que a candidatura de Flávio vingou, diferentemente do que muitos apostavam. Mas, isoladamente, o desempenho de Tarcísio não é tão distante do de Flávio”, diz Chaloub.

Para o professor, a transferência de votos de Bolsonaro para Flávio pode ter ocorrido mais rapidamente por conta do sobrenome, mas parte da classe política vê em Tarcísio potencial para ampliar a base eleitoral, o que tornaria sua candidatura mais competitiva para vencer.

Continua depois da publicidade

Até a quinta-feira (29), Tarcísio havia evitado comentar diretamente seus planos para 2026. Após visitar Jair Bolsonaro, porém, o governador reiterou apoio à candidatura de Flávio e confirmou o interesse em disputar a reeleição em São Paulo.

“Tarcísio, para ganhar, sabe que precisa de um apoio explícito de Bolsonaro, pela popularidade na direita. Então, a justificativa para a desistência pode ser um pouco essa”, afirma Chaloub.

Vieira, no entanto, pondera que, apesar do recuo de Tarcísio, é provável que setores centristas da sociedade e do mercado ainda resistam ao nome de Flávio, diante de alternativas vistas como mais moderadas e palatáveis.

Continua depois da publicidade

Para o analista, o verdadeiro desafio de Flávio para se manter viável até a eleição será mitigar os danos associados a movimentos antidemocráticos e extremistas atraídos pelo sobrenome.

O senador também precisará sustentar relevância em pautas caras à direita nas disputas anteriores. “Se não conseguir abrir uma ampla vantagem na agenda de segurança pública, isso também será um problema”, afirma.

fonte

Verifique também

Após enredo de Lula, PL quer proibir uso de verba pública em homenagens a políticos

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) protocolou nesta segunda-feira (2) um projeto de lei que …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *