Reservado e de formação técnica, o atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, de 41 anos, desponta como o nome mais cotado para assumir o comando da política econômica no governo Lula em um ano eleitoral.
A sinalização feita pelo próprio titular da pasta, Fernando Haddad, de que deve deixar o ministério em fevereiro — ainda com futuro político indefinido — indica uma aposta na continuidade da estratégia fiscal adotada desde o início do governo. A linha mantida até aqui combina intensa articulação política, foco na recomposição de receitas e ausência de enfrentamento direto do crescimento do gasto público.
A eventual nomeação é interpretada como um movimento para evitar sobressaltos. O desgaste acumulado por Haddad, os ruídos recorrentes com o mercado e o aumento do custo político de novas medidas ao longo da gestão levaram o governo a buscar um perfil negociador, capaz de preservar o arcabouço fiscal e recompor pontes com Parlamento e investidores sem turbulência.
No Planalto, Durigan é visto como um nome que “não cria crises”. Mantém relação respeitosa, ainda que não próxima, com o presidente Lula e bom trânsito com a Casa Civil. No Congresso, sua atuação é pragmática. Não integra o núcleo histórico do PT nem possui trajetória partidária relevante – o que reduz resistências ideológicas, mas exige habilidade. Sua estratégia é evitar disputas públicas.
Também na Faria Lima, a leitura sobre Durigan já está relativamente consolidada. Analistas e investidores esperam uma condução técnica e previsível, focada na execução do que já está contratado, sem mudanças bruscas na política econômica.
“Do ponto de vista econômico, não muda nada”, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. O novo ministro, diz, terá um “prazo supercurto” para apresentar qualquer iniciativa, já que o calendário eleitoral costuma paralisar a máquina pública. A tendência é de simples execução do que já foi decidido.
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Sucessão ocorre em meio a pressão sobre gastos públicos
Avaliação semelhante faz Thiago Sbardelotto, analista da XP Investimentos. Segundo ele, a política econômica de 2026 já está praticamente fechada, com as principais diretrizes aprovadas pelo Congresso.
O ponto é que a escolha tende a aprofundar a principal fragilidade da gestão Haddad: a dificuldade de enfrentar o crescimento do gasto público. Embora aprovado com ampla maioria, o arcabouço fiscal não conseguiu estabilizar a trajetória da dívida, que atingiu 78,7% do PIB em dezembro, segundo dados do Banco Central.
O arcabouço só tem sido cumprido graças à exclusão de despesas da meta fiscal. Até o ano passado, o governo já somava R$ 336,9 bilhões em despesas retiradas das regras fiscais desde o início do mandato. Assim, o enfrentamento estrutural do desequilíbrio fiscal e a credibilidade da política econômica tendem a continuar sendo empurrados para depois de 2026.
“Mais do que continuidade administrativa, a sucessão de Haddad escancara o limite da autonomia técnica no atual governo, em que a palavra final permanece concentrada nas mãos do presidente Lula, que não tem sabidamente convicção pelo ajuste”, diz o economista Alexandre Manoel, sócio da consultoria Global Intelligence and Analytics .
Carreira de Durigan foi consolidada no serviço público
Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Direito e Pesquisa Jurídica pela Universidade de Brasília (UnB), Durigan é servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU) e homem de confiança de Haddad.
Foram mais de 13 anos de carreira no setor público, onde Durigan construiu um perfil técnico com forte viés político. Embora não seja reconhecido como quadro histórico do PT, sua trajetória se consolidou no partido.
Após se formar, em 2010, atuou como coordenador de projetos na AGU, o que o credenciou para o cargo de assessor da subchefia para assuntos jurídicos da Casa Civil durante a presidência de Dilma Rousseff (PT), entre 2011 e 2015.
A partir daí, estreitou sua relação com Haddad ao atuar como assessor especial na prefeitura da capital paulista entre 2015 e 2016. Após sua volta à AGU, em 2017, deixou temporariamente o governo para atuar como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil.
A passagem pelo setor privado ampliou seu trânsito institucional, mas não alterou seu papel central no grupo de confiança de Haddad. De volta ao governo Lula, tornou-se peça-chave na articulação das principais medidas da agenda econômica.
Atuou nos bastidores da negociação de medidas como a tributação de fundos exclusivos e offshores, a revisão parcial de benefícios fiscais e a costura política para destravar votações sensíveis ao longo de 2023 e 2024.
Até agora, Durigan não se manifestou publicamente sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Fazenda. Haddad, por sua vez, tem feito elogios diretos, afirmando que o secretário-executivo possui “conhecimento realmente abrangente” e “formação muito sólida”, qualificações que o credenciam no setor público.
O martelo, entretanto, ainda não está batido. Apesar das apurações de bastidores que apontam Durigan como o nome mais cotado para suceder Haddad, o atual ministro tem ressaltado que a escolha do sucessor caberá exclusivamente a Lula.
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