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Epstein Files traz conversas do financista com Bannon sobre Bolsonaro: “Manter essa coisa do Jair nos bastidores”

A nova leva de arquivos dos Epstein Files, divulgada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) nesta sexta-feira (30), contém o que aparentam ser conversas entre o financista americano Jeffrey Epstein e o estrategista político Steve Bannon, conselheiro do primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021), sobre o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL).

As mensagens falam de supostas articulações para atuação de Bannon no Brasil e não tratam dos crimes sexuais dos quais Epstein foi acusado.

Dois prints de trocas de mensagens de celular, um datado de 8 de outubro de 2018 – dia seguinte ao primeiro turno da eleição presidencial no Brasil; Bolsonaro venceria o petista Fernando Haddad no segundo turno três semanas depois – e outro de 12 de outubro do mesmo ano, mostram Bannon conversando com uma pessoa cujo nome está com tarja nos arquivos, mas que pelo contexto parece ser Epstein.

“Bolsonaro é um revolucionário. Sem refugiados querendo entrar [no país]. Sem Bruxelas [sede da União Europeia] lhe dizendo o que fazer. Ele só precisa recuperar a economia. É grande”, escreveu Epstein a Bannon, acrescentando: “PIB de US$ 1,8 bilhão” – em referência ao tamanho da economia brasileira naquele ano.

O estrategista político então respondeu, dizendo ser “muito próximo desses caras”: a amizade de Bannon com a família Bolsonaro é conhecida há anos. “Eles me querem como conselheiro deles, devo aceitar?”, perguntou Bannon.

“É novamente uma discussão sobre reinar no inferno”, ironizou Epstein. “Isso e a Europa levam a um resultado de reinar no céu”, respondeu o estrategista político, em referência à importância de a direita governar o Brasil e o Velho Continente.

“Você não conhece ninguém lá”, aconselhou então Epstein, falando do Brasil. “Ao contrário da Europa e do jogo de bridge. A América do Sul é mais como o jogo de 52 pick-up.”

O “jogo” que o financista menciona consiste numa pegadinha tipicamente americana, em que uma pessoa convida outra que não sabe que se trata de uma piada para jogar baralho, atira as 52 cartas no chão e a estimula a pegá-las o mais rápido possível, como se fosse um jogo com regras de verdade. O comentário de Epstein seria uma referência à instabilidade política e econômica na América do Sul.

Nas mensagens de 12 de outubro, o financista disse a Bannon que não gostou de Bolsonaro “falar que qualquer associação com você seria fake news, embora eu entenda”. Naquele mês, o futuro presidente e o estrategista afirmaram que, apesar da afinidade política, não havia participação do americano na campanha de Bolsonaro.

“Eu preferiria um boné MBGA”, acrescentou Epstein, adaptando o slogan em inglês “Faça a América Grande de Novo”, de Trump, para “Faça o Brasil Grande de Novo”.

“Tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem do fato de não ter ninguém para me defender”, respondeu Bannon.

“Sei disso. Mas você também corre riscos. Então, vamos ficar atentos, cautelosos e diligentes”, disse Epstein, com o que Bannon disse “concordar 1.000%”.

Os filhos de Bolsonaro ainda não se pronunciaram sobre os documentos. O espaço está aberto para manifestação. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado por acusações de tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.

A divulgação de cerca de 3 milhões de páginas de documentos e 180 mil novas imagens dos arquivos do DOJ dos processos contra Epstein atende a uma lei aprovada pelo Congresso americano para que todos os documentos em posse da pasta sobre o financista sejam divulgados.

O prazo para essa divulgação venceu em 19 de dezembro, mas nem todos os arquivos foram divulgados nessa data e estão sendo liberados pela gestão Trump em levas separadas. Epstein se suicidou na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de coordenar um esquema de tráfico sexual de menores.

Ao divulgar mais arquivos nesta sexta-feira, o DOJ esclareceu em comunicado que a leva de documentos “pode incluir imagens, documentos ou vídeos falsos ou submetidos de forma fraudulenta, visto que tudo o que foi enviado ao FBI pelo público foi incluído na produção que atende aos requisitos da lei”.

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