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Vorcaro fala em “exposição” e BC explica fraude: os principais momentos das oitivas do caso Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli autorizou, nesta quinta-feira (29), a divulgação de oito depoimentos e uma acareação do caso do banco Master, ocorridos em dezembro de 2025. O levantamento do sigilo dos vídeos ocorreu a pedido do Banco Central do Brasil (BC). Os vídeos mostram contradições entre os ouvidos.

Participaram das audiências, conduzidas pela delegada da Polícia Federal (PF) Janaina Pereira Lima Palazzo:

  • Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central;
  • Daniel Vorcaro, dono do Banco Master;
  • Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB);

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Contradição entre Vorcaro e ex-presidente do BRB

Na acareação, Vorcaro e Paulo Henrique Costa apresentaram versões diferentes em relação à origem das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) emitidas a partir de créditos inexistentes, o que foi mencionado pela delegada como “uma fabricação de CCBs”. O BRB gastou, segundo a PF, cerca de R$ 12,2 bilhões nas carteiras falsas.

As cédulas não eram originárias do Master, mas de outras três instituições: a Tirreno, a The Pay e a Cartos. De acordo com Vorcaro, Paulo Henrique Costa sabia disso. Ele, porém, diverge: “O meu entendimento, e que eu coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo pra gente.”

Aquino revelou, em seu depoimento, que a fiscalização não conseguiu encontrar nenhuma transferência dos créditos aos beneficiários finais.

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Ex-presidente diz que não há evidências de fraude, mas que voltou atrás por falta de “padrão documental”

Palazzo questionou o ex-presidente do BRB se ele não teve medo de comprar carteiras “podres” do banco de Vorcaro. Em resposta, Paulo Henrique Costa disse que “até hoje a gente não tem uma evidência concreta de que essas carteiras tinham problema, ou como é dito, são ‘carteiras podres'”.

A delegada, então, questiona “mas por que que o senhor trocou?”, referindo-se ao recuo nas operações. Ele justifica: “não atendia a um padrão documental que a gente tinha estabelecido, e foi essa a comunicação que a gente fez ao Banco Central. Nós tínhamos uma previsão contratual de que as carteiras precisavam ser originadas pelo Master, e quando nós verificamos o padrão documental, não nos atendia.”

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Vorcaro se diz “o mais escrutinado do Brasil” pelo Banco Central

“Alguma parcela desses recursos que foram recebidos do BRB, ou o senhor, o senhor tem bens no exterior, contas no exterior?”, questiona Palazzo. Vorcaro confirma, acrescentando que o banco também possui operações no exterior.

“Eu sou, talvez eu tenha sido uma das pessoas mais escrutinadas do Brasil antes dessa operação. Eu tenho todos os meus bens declarados, impostos altíssimos pagos ao longo do tempo, porque já existia esse escrutínio por parte do próprio Banco Central, que acompanha não só o banco como a minha vida ao longo dos anos”, complementou Vorcaro.

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Toffoli quis saber se haveria mais sanções contra o Master

A delegada ainda questionou do diretor de Fiscalização do BC sobre o fato de os indícios de irregularidade terem sido comunicados ao Ministério Público antes da instauração de um procedimento administrativo para sancionar o banco. A pergunta ocorreu após um mal-estar entre o advogado de Aquino e a mesa, por uma pergunta considerada “vaga e especulativa”. A pergunta em questão foi enviada, por escrito, pelo próprio Toffoli”, e dizia respeito a previsões de novas medidas a serem tomadas contra a instituição.

“A pergunta parece um tanto quanto vaga e um tanto quanto especulativa. Na verdade, só ponderar que o colega inquirido fala sobre fatos, e medidas que o banco pode potencialmente adotar, primeiro, não são medidas que são adotadas só por ele, nós temos uma diretoria colegiada, uma governança, e em todo caso, são medidas que dependem de avaliações futuras, avaliações que estão em curso”, argumenta a defesa.

Quanto à comunicação, Aquino esclareceu: “A comunicação feita ao Ministério Público é um dever de ofício. […] Eu tenho até cinco anos para a propositura do processo administrativo sancionador. […] Nós privilegiamos primeiro a comunicação ao Ministério Público dos indícios. […] Quanto ao processo administrativo sancionador, é um outro curso, o curso na esfera administrativa.”

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Vorcaro nega auxílio de políticos

Palazzo quis saber se Daniel Vorcaro recebeu auxílio de “amigos políticos” para tentar viabilizar a venda do Banco Master ao BRB.

O presidente do Master rebateu: “Eu queria só dizer o seguinte, se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo.”

Vorcaro se disse frustrado: “não era para a gente estar aqui nessa sala e com essa exposição toda para o país, porque o prejuízo, no final, não foi só meu, foi do sistema financeiro.”

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Aquino revela funcionamento da fraude e compara ao caso do Banco Cruzeiro do Sul

O diretor do BC comparou o caso ao ocorrido em 2012 envolvendo o Banco Cruzeiro do Sul. Ele revela que os bancos utilizam-se de valores muito próximos aos limites considerados no monitoramento das cédulas de crédito, para burlar o filtro. Por conta disso, o órgão monetário precisa baixar esse limite e passar a fiscalizar carteiras menores.

Aquino também fala do impacto na “Dona Maria”, referindo-se ao consumidor final. Segundo ele, não foram identificadas quaisquer transferências de valores reais aos clientes no caso da Tirreno.

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