Os três nomes do PSD que buscam viabilizar uma candidatura presidencial — o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, agora se soma a Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, entre as opções do partido — terão como desafio atrair segmentos estratégicos para o pleito que no passado apoiaram o ex-presidente Jair Bolsonaro e hoje demonstram preferência por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida. Seja no mercado financeiro, na indústria ou no agronegócio, o nome do governador de São Paulo continua sendo visto como o de maior potencial para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após movimentações recentes na direita.
Tarcísio tem repetido que vai disputar a reeleição, o que tem reforçado a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) como principal nome do campo. Nos bastidores, as corretoras e bancos da Faria Lima, porém, avaliam que a rejeição ao senador é muito alta, o que favorece Lula e ainda existe um “fio de esperança” de que Tarcísio possa disputar a Presidência, o que dependeria de um aval de Bolsonaro. O governador deve se encontrar hoje com o ex-presidente, que está preso na Papudinha, condenado por tramar um golpe de estado (leia mais abaixo).
“A entrada do Caiado na disputa não muda muito o cenário porque já era prevista. Ele sempre foi um nome na mesa e para quem está atrás de opções, pouco muda. Ele (Caiado) tem o reduto dele, mas nas pesquisas ainda não aparece. Agora, uma entrada do Tarcísio daria aquela mexida”, diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.
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Competitividade
Para o especialista, a ausência de Tarcísio na corrida presidencial reforça a chance de Lula sair vencedor, já que o governador era a aposta mais forte do mercado financeiro para enfrentá-lo de “igual para igual”. Teles observa que Tarcísio tem dito que “tem muito a conversar com Bolsonaro”, embora reforce que seu objetivo é a reeleição em São Paulo.
Estrategista-chefe da MZM Wealth, especializada em planejamento financeiro e gestão patrimonial, Paulo Bittencourt avalia que Caiado é um político ainda com amplitude regional, que pode ser bem avaliado no Centro-Oeste ou entre a direita no Sudeste, mas que não teria apoio em Minas Gerais, estado decisivo para a eleição. Além disso, na visão do mercado, Caiado não traz um discurso de modernidade ou renovação política. Nesse sentido, afirma Bittencourt, Ratinho Jr. seria mais competitivo.
“O mercado financeiro ainda tem a vontade que seja Tarcísio o candidato de direita. Mas cada vez mais fica claro que o governador de São Paulo não vai entrar nessa corrida, já que a família Bolsonaro considera que precisa defender o legado do ex-presidente indicando o nome de Flávio”, diz o estrategista.
No fim do ano passado, lembra reservadamente um empresário da indústria, Caiado destacou em um evento destinado a empreendedores, no Espírito Santo, que os pilares de seu governo em Goiás são a responsabilidade fiscal e foco na segurança pública. Na ocasião, Caiado afirmou que essas seriam suas principais bandeiras numa eventual candidatura.
A questão fiscal é primordial para o mercado financeiro apoiar um candidato, mas a indústria também aposta na redução do déficit público como ferramenta para redução dos juros, atualmente em 15%, patamar que é um obstáculo a novos investimentos, já que os empréstimos ficam mais caros. Representantes do setor veem na continuidade de um governo do PT a manutenção do desequilíbrio das contas públicas — o que pode atrasar a queda de juros — e reforçam que Tarcísio ainda seria o melhor nome da direita para enfrentar Lula.
Proximidade histórica
Já no agronegócio o nome de Caiado é bem avaliado, uma vez que o governador de Goiás tem ligações históricas com o setor: sua família sempre esteve ligada à pecuária. Caiado também foi uma das figuras importantes da bancada ruralista e sempre condenou as invasões de propriedades privadas por movimentos de sem terras.
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Se de fato sair candidato, Caiado deve ganhar apoio importante de produtores no primeiro turno. Um obstáculo seria ter Tarcísio como concorrente, já que também no setor ele tem boa avaliação. Ainda assim, produtores procurados pelo GLOBO preferem aguardar uma melhor consolidação do cenário político antes de se posicionarem.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, diz que a entidade acompanha com interesse a campanha presidencial deste ano e está aberta a promover o diálogo entre os candidatos e as lideranças rurais do estado sobre as propostas para o setor e o país.
“Vamos ouvi-los na Federação. O primeiro convidado é o pré-candidato Aldo Rebelo (Democracia Cristã). Aguardamos agendamentos com Flávio Bolsonaro, Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, além de quaisquer outros candidatos que desejarem nos visitar”, disse.
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