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Juiz vê indícios de lavagem após empresário de Cuiabá sacar R$ 295 mil em dinheiro vivo em 20 dias

EDUARDA FERNANDES

DO REPÓRTERMT

Decisão do juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias Polo Cuiabá, aponta indícios de lavagem de dinheiro após o empresário João Nery Chiroli sacar R$ 295 mil em espécie, em oito transações realizadas em apenas 20 dias. A análise consta na decisão que autorizou nessa terça-feira (27) a deflagração da Operação Gorjeta, que apura um esquema de desvio de emendas parlamentares em Cuiabá. Na ação, o vereador Chico 2000 foi afastado do cargo por 60 dias.

Ao detalhar a movimentação financeira, o magistrado destacou que os saques ocorreram logo após o Instituto Brasil Central (IBRACE) transferir R$ 1,293 milhão à empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda., valor que, segundo a investigação, teve origem em recursos públicos.

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Conforme a decisão, “R$ 295.000,00 foram sacados em espécie por João Nery Chiroli, num total de 08 transações”, entre os dias 9 e 29 de abril de 2025. No mesmo período, também houve transferências para a empresa Chiroli Uniformes Ltda., para o presidente do IBRACE, Alex Jony Silva, e o pagamento de R$ 20 mil a um pedreiro.

O juiz ressaltou que “os agrupamentos das movimentações financeiras em grandes grupos suspeitos constituem indícios de prática do delito de lavagem de capitais”, tendo como crime antecedente, em tese, o peculato.

Na avaliação do magistrado, “a natureza dos saques realizados, notadamente os de maior valor, levanta severas suspeitas”, principalmente pelo uso de dinheiro em espécie, considerado “anacrônico frente ao atual sistema bancário”.

A decisão também aponta que os valores foram fracionados e mantidos abaixo de R$ 50 mil. Segundo o juiz, “a concentração das operações em um curto intervalo, com valores estrategicamente fixados abaixo de R$ 50.000,00, evidencia uma possível tentativa deliberada de burlar os mecanismos de controle”, evitando a comunicação automática ao Coaf.

Outro ponto citado é a dispensa de provisionamento prévio, exigido apenas para saques acima de R$ 50 mil, o que, de acordo com o magistrado, “indica que o numerário foi retirado e utilizado imediatamente no caixa”.

Para a autoridade policial, entendimento acolhido pelo juiz, as movimentações representam a fase inicial da lavagem de dinheiro. “As transações investigadas constituem o primeiro estágio dentre as fases da lavagem de capitais, denominada colocação, através de técnica conhecida como smurfing”, diz a decisão.

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A operação

Além de Chico e Chiroli, foram alvos da operação os servidores da Câmara Municipal de Cuiabá Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do vereador Chico 2000, e Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV); Alex Jones Silva, presidente do Instituto Brasil Central (IBRACE); e Magali Gauna Felismino Chiroli. Também foram alvos a empresa Chirolli Uniformes e o Instituto Brasil Central também foram alvos da operação.


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