O Banco Central negou oficialmente, nesta sexta (23), que o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, tenha recomendado a compra de carteiras fraudadas do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), que teria custado R$ 12 bilhões à instituição estatal do Distrito Federal. A autoridade monetária afirmou, ainda, que a posterior aquisição do Master pelo BRB foi barrada justamente após a identificação de irregularidades graves nos ativos analisados.
Segundo o Banco Central, Ailton de Aquino declarou que “jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas” e decidiu abrir voluntariamente seus sigilos bancário, fiscal e de registros de conversas mantidas com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
“Foi igualmente da área chefiada pelo Diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas. Na sequência, com o objetivo de prevenir a prática de novas operações com impactos sobre a liquidez do BRB, a área de Supervisão, sob orientação do mesmo Diretor, aplicou medida prudencial preventiva ao BRB, sendo do próprio Diretor, por fim, a iniciativa de submeter à Diretoria Colegiada do Banco Central a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados”, afirmou o Banco Central em nota publicada no próprio site na internet (veja na íntegra).
Ainda na nota, o Banco Central reforçou que tem obrigação legal de acompanhar permanentemente a situação de liquidez das instituições financeiras, inclusive operações de aquisição de ativos entre bancos. O objetivo, segundo a autarquia, é garantir a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e proteger depositantes, investidores e demais credores.
“No exercício desse mandato [de Gabriel Galípolo na presidência da autoridade monetária], a área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira”, reforçou.
O Banco Central lembrou ainda que a responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos adquiridos no mercado é exclusiva de cada instituição financeira. Cabe aos bancos manter procedimentos e controles internos adequados para o correto gerenciamento dos riscos assumidos em seus negócios.
Ao final da nota, o Banco Central afirmou que Ailton de Aquino, “imbuído de seu compromisso com a transparência”, colocou à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal todas as suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas – inclusive com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Para isso, diz a nota, o diretor renunciou formalmente ao sigilo desses dados, com o objetivo de colaborar com as investigações.
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