O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reunir, nesta sexta-feira (23), em Alagoas, grupos políticos rivais entre si, mas aliados do governo. Lula visitará a sede da Embrapa Alimentos e Territórios, em Maceió, e participará da celebração de um contrato para a construção de 2 milhões de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.
O evento do programa habitacional deverá colocar no mesmo palco adversários históricos no estado, como o senador Renan Calheiros (MDB) e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Ambos planejam disputar o Senado com o apoio de Lula, embora sem compartilhar o mesmo palanque localmente.
Também devem participar da agenda o ministro dos Transportes, Renan Filho, que tende a deixar o cargo para disputar novamente o governo estadual, e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC, que também é cotado para entrar na corrida pelo Palácio República dos Palmares.
Oportunidade com segurança!
A eventual candidatura do prefeito ainda é uma incógnita, já que significaria o rompimento de um acordo político costurado no ano passado, quando JHC se aproximou de Lula durante as negociações para a indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Embora as partes neguem publicamente a existência de um acordo, aliados de Lula e dos Calheiros afirmam que havia um compromisso do prefeito de não disputar o governo estadual, o que reforçaria o favoritismo de Renan Filho. Também estava prevista, segundo esses interlocutores, a saída de JHC do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro, que governou Alagoas por dois mandatos, aparece empatado com JHC em pesquisas eleitorais recentes. Ainda filiado ao PL, o prefeito é aliado de Lira no plano local, mas essa aliança também enfrenta incertezas. Isso porque passou a ser cogitada a possibilidade de JHC disputar o Senado, o que prejudicaria a candidatura de Lira, atualmente em segundo lugar nas sondagens, atrás de Renan Calheiros.
Outra hipótese aventada nos bastidores é a de que JHC lance a esposa, Marina Candia. Em pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em dezembro, a primeira-dama aparece com 39% das intenções de voto, contra 49% de Renan Calheiros e 45% de Arthur Lira (cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado neste ano).
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Aliados relatam que JHC vem sendo pressionado a cumprir sua parte no suposto acordo. Em dezembro, sua mãe, a senadora Doutora Eudócia (PL-AL), votou a favor do projeto de lei da dosimetria, que reduz penas de condenados pela trama golpista, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para o grupo político dos Calheiros, o cenário considerado mais favorável é o de uma candidatura de JHC ao Senado, o que enfraqueceria Lira no pleito estadual. O prefeito e o senador Renan Calheiros se encontraram recentemente em uma reunião reservada em Barra de São Miguel, tradicional balneário alagoano. Na casa de um amigo comum, como noticiou o colunista Lauro Jardim, o senador reiterou cobranças já feitas ao prefeito pelo ex-ministro José Dirceu, no sentido de que cumpra o acordo e não dispute o governo.
Dirceu esteve em Alagoas na semana passada e também conversou com JHC. O prefeito, no entanto, ainda não teria definido seu futuro político.
Reservadamente, uma pessoa a par do assunto afirma que Lira chegou a manifestar à ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, no fim de 2025, seu incômodo com uma eventual candidatura de JHC ao Senado. Publicamente, porém, o ex-presidente da Câmara nega ter feito qualquer pedido ao prefeito, que diz considerar integrante de seu grupo político.
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