quinta-feira , 22 janeiro 2026
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Inelegível, Pablo Marçal oferece consultoria política a candidatos

O empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB), declarado inelegível pela Justiça Eleitoral até 2032, está oferecendo consultoria política a futuros candidatos nas eleições deste ano. O negócio é capitaneado por Filipe Sabará, um dos seus coordenadores de campanha na disputa pela prefeitura de São Paulo e que recentemente tem auxiliado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no relacionamento com empresários da Faria Lima.

Documentos obtidos pelo GLOBO e pela rádio CBN com a Junta Comercial de São Paulo mostram que Sabará abriu duas empresas de publicidade e treinamento no ano passado. Uma delas é a Unipoli, nome abreviado da “Universidade Política”, que vende cursos por R$ 496 na internet. “Infelizmente esse assunto não é ensinado adequadamente nas escolas e quando ministram é feito de forma ideológica”, alega a plataforma.

A ideia, ao menos inicialmente voltada para cursos online de curta duração, foi apresentada em Alphaville, em novembro do ano passado, num evento intitulado “Como destravar o Brasil”. A reportagem apurou que a consultoria se trata de uma nova frente do negócio chamada de “Máquina de votos”, que tem como logotipo um “M” estilizado e foco na “ação digital”. Sabará não quis revelar quem seriam os contratantes, mas alega que a lista inclui postulantes a deputado e também ao Executivo.

Oportunidade com segurança!

“Deixa eu falar uma coisa, eu estou esperando ninguém fazer nada não, eu estou levantando um batalhão já faz tempo. Essa eleição agora, nós vamos tomar o parlamento inteiro. Eu vou liberar várias coisas na próxima eleição, nós vamos fazer festa no Brasil inteiro. O estado que não tiver nenhum prefeito do PT nós vamos matar, assim, umas cem cabeças de gado, fazer um terror, festa de sete dias em cada estado onde não tiver esse povo”, disse Marçal na palestra de novembro.

A página do negócio no Instagram, pouco divulgada até o momento, tem apenas 25 seguidores, entre eles o ex-deputado estadual Frederico D’Ávila (PL-SP), nome com trânsito no agronegócio paulista. Procurado, ele confirmou as negociações e disse que está aguardando o envio da proposta. D’Ávila disputou uma vaga na Câmara há quatro anos, logo após desgaste na Assembleia Legislativa por ofensas dirigidas ao Papa Francisco, e não foi eleito. Aparecem ainda na conta figuras ligadas ao PP de São Paulo. O presidente estadual do partido, deputado federal Maurício Neves, não esclareceu se tem relação com a empreitada.

Ex-candidato a prefeito de São Paulo, em 2024, Marçal exibiu uma postura polêmica durante a campanha. Ao longo de todo o período eleitoral, acusou o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) de fazer uso de cocaína sem nenhuma prova, tática que culminou com a divulgação de um laudo falso às vésperas do primeiro turno. O candidato ainda tumultuou debates, viu um assessor agredir o marqueteiro de Ricardo Nunes (MDB) e levou uma cadeirada de José Luiz Datena (PSDB).

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A certa altura, justificou que precisou “agir como um idiota” para obter visibilidade numa disputa em que tinha menos recursos à disposição do que os concorrentes pelo nanico PRTB. Marçal acabou derrotado, em terceiro lugar, por uma margem estreita de votos. Depois, foi condenado à inelegibilidade, em 1ª e 2ª instâncias, devido aos chamados “campeonatos de cortes” que promoveu na plataforma Discord durante a pré-campanha. Sob a promessa de ganhos financeiros, contas anônimas compartilhavam vídeos em massa para viralizar na internet. Ele anunciou que irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de Sabará e de Marçal, outros professores do curso mencionados são Rodrigo Kherlakian, que se apresenta como empreendedor e filósofo estoico nas redes sociais, e Daniel Gonzales, dono de um negócio que propaga o uso de técnicas de neurociência nas escolas e de uma página de extrema direita no Twitter. Dos quatro, contudo, apenas Sabará aparece como sócio-administrador da empresa. A assessoria de Marçal, porém, confirmou que o influenciador atua na comercialização.

Advogados especialistas em Direito Eleitoral apontam que influenciadores podem atuar nas eleições, inclusive prestando serviços de assessoria política e marketing, mas não podem cobrar pela exposição em suas próprias redes ou obter qualquer tipo de favorecimento em troca de apoio. Desse modo, tanto Sabará quanto Marçal podem oferecer consultoria visando às eleições de 2026, desde que não façam propaganda dos candidatos com os quais firmaram acordos comerciais.

Desconfiança

A tentativa de Sabará de influenciar nos rumos da campanha de Flávio tem gerado incômodo entre aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em 2024, Marçal foi adversário de Ricardo Nunes, que tinha o apoio formal do ex-presidente Jair Bolsonaro e do chefe do Executivo paulista.

Ao longo de toda a campanha, o empresário que fez fortuna oferecendo programas de mentoria nas redes sociais procurou se apresentar como verdadeiro representante da direita e deslocar Nunes. Sobrou até para Tarcísio:

“Eu falei para ele, 100% das vezes em que tocar no meu nome eu vou devolver energia. Como ele falou pro Nunes que eu estou derretendo, vou deixar aqui, carinhosamente, provisoriamente, um apelido para ele. Ele é o goiabinha. A dupla bananinha e goiabinha.”

Em dezembro do ano passado, Flávio surpreendeu ao aparecer em um evento de Marçal, em que recebeu o seu apoio. A aproximação traz dúvidas sobre a possibilidade de Tarcísio encarar um palanque ao lado de Marçal, assim como o prefeito paulistano.

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“Vamos apoiar Flávio Bolsonaro para presidente do Brasil. Chega de PT, chega de Lula. Ele é o Bolsonaro que a gente sempre sonhou”, declarou o influenciador.

Sabará também procurou o governador de São Paulo para uma reunião em janeiro, como uma espécie de emissário do filho “01” de Bolsonaro. Na conversa, pediu ao mandatário que fizesse postagens explícitas em apoio a Flávio e ajudasse nas articulações políticas. Ouviu, segundo interlocutores, que a campanha ainda não havia começado e que o senador teria todo o apoio no momento certo.

Um aliado de Tarcísio afirma, sob reserva, que Flávio parece estar expandindo a sua influência neste momento — “para depois restringir”, confiando que Sabará não deve ser uma figura tão presente na campanha. Antes de se envolver com Marçal, ele foi secretário de Assistência Social da prefeitura de São Paulo, durante a gestão de João Doria, tentou concorrer a prefeito pelo Novo, em 2020, e presidiu o conselho do Fundo Social do estado.

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