EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT
A Operação Déjà Vu, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (20), teve origem em uma denúncia feita pela atual gestão da Prefeitura de Cuiabá, comandada pelo prefeito Abilio Brunini (PL), e apura irregularidades cometidas entre os anos de 2020 e 2024, período correspondente à administração do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD).
A investigação começou após a Procuradoria-Geral do Município identificar, no início de 2025, indícios de cancelamentos indevidos de débitos tributários no sistema da administração municipal. Diante das suspeitas, a PGM adotou providências internas e formalizou notícia de fato à Polícia Civil em abril do ano passado.
Com base na denúncia apresentada por cinco procuradores do município, a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção deflagrou a operação para apurar crimes de inserção de dados falsos em sistema informatizado, além de corrupção, associação criminosa e outros delitos correlatos praticados contra a Procuradoria-Geral da Prefeitura de Cuiabá.
Ao todo, foram expedidas 43 ordens judiciais, entre elas três mandados de prisão, dos quais dois já foram cumpridos contra Adriano Henrique Escame de Oliveira e Matheus Henrique do Nascimento Pereira. Adriano chegou a ser nomeado como assessor parlamentar externo da Câmara de Cuiabá em maio de 2025, mas foi exonerado em agosto do mesmo ano. O terceiro alvo do mandado de prisão ainda não foi localizado.
Também foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, nove medidas cautelares diversas da prisão, três afastamentos do serviço público, quatro sequestros de bens e 12 bloqueios de valores, que somam R$ 491.450,45. As medidas foram autorizadas pelo Juízo do Núcleo do Juiz das Garantias da Comarca de Cuiabá.
Segundo a Polícia Civil, as investigações indicam o uso indevido de logins, senhas e rotinas internas para realizar lançamentos e cancelamentos irregulares no sistema da Prefeitura, com impacto direto na arrecadação municipal. Também são apurados indícios de recebimento de vantagem indevida, possivelmente relacionada a intermediações e supostos serviços para alteração de registros administrativos.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Município ressaltou que nenhuma das irregularidades sob investigação ocorreu na atual gestão e que todos os nomes citados já não integram os quadros da Prefeitura de Cuiabá. A administração municipal afirmou ainda que segue colaborando integralmente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.
O nome Déjà Vu faz referência à repetição de padrões identificados durante a apuração, relacionados a lançamentos e cancelamentos considerados suspeitos e recorrentes nos sistemas da administração municipal.
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