terça-feira , 20 janeiro 2026
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“Careca do INSS” tentou operar na Saúde após fraudes em aposentadorias, diz portal

A investigação que revelou o esquema de fraudes em aposentadorias do INSS avançou sobre uma nova frente. Apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do caso, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, tentou articular negócios com o Ministério da Saúde envolvendo medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de nutrição infantil. As iniciativas não resultaram em contratos, segundo informações oficiais da pasta. As revelações são do G1.

As movimentações do lobista junto ao ministério aparecem em trocas de mensagens obtidas pela PF e publicadas pelo portal, que passaram a integrar o inquérito da Polícia Federal.

A apuração ganhou visibilidade após a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril de 2025, que investiga desvios em benefícios previdenciários. Em decisão que autorizou nova fase da operação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou a Saúde como “possível nova área de atuação” do grupo e determinou a abertura de apuração administrativa pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Uma das frentes envolveu a World Cannabis, empresa ligada ao lobista, segundo apuração do portal. Mensagens de dezembro de 2024 indicam discussões internas sobre a revisão da resolução da Anvisa que regula a fabricação e a importação de produtos de cannabis.

Nos diálogos, aparecem referências a reuniões com integrantes da cúpula do Ministério e à elaboração de minutas de termos de referência para uma eventual compra pública de canabidiol. Documentos compartilhados sugeriam aquisição sem licitação e direcionamento a empresas específicas. A negociação, contudo, não avançou.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que não compra nem fornece canabidiol e que o produto não integra o SUS.

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Mudança de rota

Em janeiro de 2025, o foco das conversas migrou para testes rápidos de dengue, conforme apuração da PF revelada pelo G1. Registros de WhatsApp mostram preparativos para reuniões e a elaboração de novo termo de referência prevendo compra emergencial, também sem licitação, de kits de um fabricante estrangeiro.

As mensagens indicam tentativa de sincronizar a oferta com o pico da doença no país. Apesar disso, a pasta informou que os testes mencionados já haviam sido adquiridos anteriormente por meio de licitação regular, sem qualquer vínculo com o lobista. Uma nota técnica posterior recomendou o uso dos testes, mas o Ministério sustenta que a compra seguiu processo iniciado meses antes.

Novo mercado

Outra tentativa envolveu produtos de nutrição infantil, por meio de parceria com uma empresa goiana e a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego), no âmbito de um programa de inovação do Ministério.

Um memorando previa atuação consultiva de uma empresa do lobista e transferência de tecnologia. Segundo a Saúde, a proposta foi analisada e reprovada em 2025, sem gerar pagamentos ou contratos.

O ex-secretário-executivo da Saúde citado nas mensagens afirmou, por meio do Planalto, que recebeu representantes da empresa em visita institucional registrada em agenda pública, sem desdobramentos. Já as empresas envolvidas dizem que os projetos não prosperaram e que não houve repasses financeiros.

Para os investigadores, a suspeita central é que recursos desviados do INSS tenham sido usados para estruturar empresas e abrir portas em áreas sensíveis da administração pública.

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A PF segue analisando o conteúdo das mensagens e a eventual responsabilidade de agentes públicos, enquanto a Anvisa foi acionada para verificar possíveis irregularidades administrativas.

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