O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) articula uma chapa unificada com os principais nomes de oposição ao governador Elmano de Freitas (PT) para disputar as eleições no Ceará em outubro. O objetivo é estruturar uma candidatura majoritária que envolva nomes como o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e o ex-deputado federal Capitão Wagner, ambos do União Brasil.
A chapa englobaria os políticos da direita que disputarão os cargos de governador, vice-governador, além das duas cadeiras do Senado Federal. Ciro já afirmou publicamente a intenção de disputar o Executivo estadual novamente, posição que ocupou entre 1991 e 1994.
— Você deve ver uma chapa comigo, com Capitão Wagner, com Roberto Cláudio para compor as chapas majoritárias. Temos a outra vaga de senador para compor com outros aliados, porque o que interessa para nós não é politicagem, é enfrentar a violência impune que tomou conta da política — disse Ciro na sexta-feira durante coletiva de imprensa concedida após reunião de lideranças da oposição.
A aproximação de Ciro ao bolsonarismo marca a passagem atual dele no PSDB. Na sexta-feira, o ex-governador afirmou que uma decisão final sobre as vagas que cada nome disputará ainda não foi tomada.
— Esse nosso movimento é de mudança. Vamos juntar todo cearense de boa-fé e, se for a mim tocar a tarefa de liderar isso, para o cargo de governador, mas até lá, até decidir que essa responsabilidade é minha, está aqui o nosso coletivo — disse Ciro.
O ex-governador lidera a disputa pelo Executivo do Ceará com 44% das intenções de voto, segundo pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em dezembro. Em seguida, aparecem Elmano, com 34%, e o senador Eduardo Girão (Novo), com 7%. Os entrevistados que declaram voto branco ou nulo somaram 10%. Já 5% não souberam ou não responderam.
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O instituto também mediu um cenário de segundo turno entre Ciro e Elmano, no qual o tucano aparece com 49% contra 39% do petista. Outros 8% declaram voto em branco ou nulo e 4% estão indecisos.
Alinhamento bolsonarista
Com a presença de aliados bolsonaristas, Ciro se filiou ao PSDB em outubro, quando respondeu críticas sobre sua aproximação a nomes ligados ao ex-presidente, como o deputado federal André Fernandes (PL) e Capitão Wagner.
Em referência direta a Fernandes, Ciro agradeceu pela presença do parlamentar na ocasião e afirmou que ambos nutrem “algumas desavenças que serão resolvidas fraternalmente”.
A aproximação do PDT ao PT, tanto na esfera estadual quanto na nacional, foi citada pelo ex-governador como motivo de sua recente insatisfação dentro da sigla. Ciro também demonstrou descontentamento com o processo de “fritura” enfrentado pelo presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, provocado pela crise do INSS, que levou à sua deposição do comando do Ministério da Previdência.
Como mostrou em dezembro a newsletter do GLOBO “Jogo Político”, do jornalista Thiago Prado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a possibilidade do ministro da Educação, Camilo Santana, ex-governador do Ceará, liderar uma candidatura no ano que vem ao Executivo estadual.
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Embora esteja dizendo que não quer ser candidato, Camilo vem deixando aberta a possibilidade de voltar a concorrer ao cargo que ocupou entre 2015 e 2022 — “a política é dinâmica”, disse ao GLOBO no mês passado.
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