Apesar das afirmações públicas de que tentará a reeleição em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vem ampliando movimentos para se manter na corrida ao Planalto, com críticas ao governo Lula e acenos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que apontou seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), como nome da família à Presidência. Nos últimos dias, o governador procurou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para defender a concessão de prisão domiciliar ao seu principal padrinho político, em movimento interpretado por bolsonaristas como um gesto para preservar vínculo e manter canal direto com o núcleo que hoje influencia decisões.
Além disso, Tarcísio ainda não mergulhou na pré-campanha de Flávio e continua sendo visto como “candidato natural” por segmentos da direita, do Centrão e por integrantes do governo Lula, que avaliam que a candidatura ainda não está descartada.
Três interlocutores próximos a Tarcísio confirmaram que o governador conversou por telefone com ao menos quatro ministros da Corte na quarta-feira para tratar do pedido de prisão domiciliar apresentado na terça-feira pela defesa do ex-presidente.
Fontes próximas à família Bolsonaro relataram que Michelle também atuou nos bastidores. Esta informação foi inicialmente veiculada pelo portal g1. A ex-primeira-dama participou de uma audiência com o ministro Gilmar Mendes e pediu que ele falasse diretamente com o relator do caso, Alexandre de Moraes.
Michelle teria dito ao magistrado que deseja cuidar pessoalmente de seu marido e que suas condições de saúde não lhe permitem cumprir regime fechado. Procurados, Michelle e Tarcísio não se manifestaram.
Disputa interna
Segundo relatos, Tarcísio reforçou a piora no quadro clínico de Bolsonaro, exemplificada pela queda sofrida na semana passada. O governador citou laudos médicos reunidos pela defesa e a suposta limitação estrutural da cela na superintendência da Polícia Federal, sustentando que o ex-presidente estaria em condição de vulnerabilidade. Esses mesmos argumentos foram usados pelos advogados na peça protocolada no STF.
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A queda foi classificada como traumatismo craniano leve. Por esse motivo, o médico Brasil Ramos Caiado afirmou que a lesão não era preocupante e o ex-presidente foi reconduzido à PF.
A articulação ocorre no momento em que o bolsonarismo opera em duas frentes: tentar aliviar o ambiente jurídico para o ex-presidente e, ao mesmo tempo, administrar a disputa interna pela reorganização do campo da direita em 2026.
Os telefonemas aos ministros acontecem também sob o impacto de um ruído recente dentro do bolsonarismo. A mulher de Tarcísio, Cristiane Freitas, comentou em uma postagem do governador que “o Brasil precisa de um novo CEO”, em referência a ele. O comentário foi curtido por Michelle (leia mais detalhes abaixo). A reação foi imediata no entorno do ex-presidente e em grupos ligados a Flávio, que viram no episódio um estímulo ao nome de Tarcísio no momento em que o senador tenta consolidar sua pré-candidatura.
“A gente precisa trocar o rumo, porque se não a gente vai perder as oportunidades. É só isso, não tem nada a ver com o jogo presidencial. A gente está dizendo o seguinte, PT não. E aí a direita vai estar unida em torno de um nome, e o meu nome é o Flávio”, disse Tarcísio na quinta-feira, minimizando ainda a postagem:
“A mensagem lá é de desabafo contra o PT. A gente está dizendo ali o seguinte: a gente precisa, na verdade, de um gestor que pense o Brasil, que tenha liderança para enfrentar os grandes desafios, para resolver os problemas, que são sérios, com uma crise fiscal contratada e uma crise moral.”
Avaliação do Planalto
Para auxiliares de Lula, as movimentações que vêm sendo feitas por Tarcísio indicam que ele não desistiu de seu plano nacional. No entendimento do governo, Flávio é um adversário menos perigoso do que o governador por causa da sua alta rejeição.
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Apesar de a pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira mostrar uma melhora no desempenho de Flávio, integrantes do governo com assento no Planalto avaliam não estar descartada a possibilidade de Tarcísio assumir o posto de candidato na disputa presidencial de outubro, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentará a reeleição.
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