O deputado federal governista Félix Mendonça (PDT-BA) é um dos alvos da 9ª. fase da Operação Overclean, que investiga um esquema de desvio de emendas parlamentares, deflagrada nesta terça (13) na Bahia e no Distrito Federal. Ao todo, a Polícia Federal cumpre nove mandados de busca e apreensão emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com as primeiras informações apuradas pela GloboNews, CNN Brasil e Metrópoles, Mendonça teria ligação com o esquema que envolve, ainda, corrupção e lavagem de dinheiro. O STF também determinou bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper a circulação de valores considerados ilícitos.
Segundo a investigação, o esquema consistia no direcionamento de emendas parlamentares para licitações previamente manipuladas. Servidores públicos facilitavam a vitória de empresas específicas que, após vencerem as disputas, superfaturavam contratos e desviavam parte do dinheiro público.
À Gazeta do Povo, a defesa do parlamentar diz que Mendonça foi alvo da operação “com surpresa”, que lamenta a “morosidade” das investigações incluindo a realizada contra ele no ano passado e que “tem colaborado integralmente” com a apuração.
“O deputado reitera que jamais negociou a execução de emendas parlamentares, nunca indicou empresas e não exerce qualquer função de ordenador de despesas. O papel do parlamentar sempre se limitou à apresentação de emendas, com o objetivo de assegurar recursos federais aos municípios que representa na Bahia”, completou (veja na íntegra mais abaixo).
As buscas contra Mendonça ocorreram em seu apartamento funcional em Brasília e em sua residência em Salvador.
A Polícia Federal apura crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. As autoridades afirmam que o modelo de atuação se repetiu em diferentes contratos e envolveu agentes públicos e empresários.
Em junho do ano passado, um assessor de Félix Mendonça foi alvo de outra fase da Operação Overclean. Ele seria o coordenador do esquema e teria uma “altíssima” confiança do deputado, segundo fontes a par das investigações.
À Gazeta do Povo na época, Mendonça negou as acusações e se disse surpreendido pela operação.
“Félix Mendonça nega que ele ou qualquer assessor do seu gabinete tenham cometido irregularidade no envio de emendas parlamentares para municípios baianos, sejam os citados na operação ou qualquer outro. O deputado ressalta que as emendas para custeio ou investimentos nos municípios são solicitadas por prefeitos ou lideranças, sendo esperado que os recursos sejam aplicados de forma lícita, com a obtenção de ganho exclusivamente político”, disse o parlamentar em nota.
A Operação Overclean teve início em dezembro de 2024, quando a primeira fase resultou no cumprimento de 59 mandados judiciais e na prisão de 16 pessoas nos estados da Bahia, São Paulo e Goiás. Desde então, a investigação avançou sobre a estrutura financeira e política do grupo suspeito.
Félix Mendonça é conhecido por manter uma postura majoritariamente governista em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda que faça críticas pontuais, principalmente na área econômica.
No plano estadual, o deputado liderou, em abril de 2025, a entrada oficial do PDT na base do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reforçando a aliança política com o projeto do governo federal para as eleições de 2026.
Veja abaixo o que disse a defesa de Félix Mendonça sobre a operação desta terça (13):
O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT) foi alvo, com surpresa, de nova ação da Polícia Federal (PF), realizada nesta na manhã desta terça-feira (13), com o objetivo de novamente verificar a existência de supostas irregularidades relacionadas à destinação de emendas parlamentares.
Cabe lembrar que em junho de 2025 houve operação com essa mesma finalidade. Passados mais de seis meses, sem que tenha sido encontrado qualquer elemento contra o deputado, a nova diligência causa estranhamento, especialmente diante da inexistência de fatos novos que justifiquem a medida.
Desde o início, Félix Mendonça Júnior tem colaborado integralmente com as investigações, inclusive por meio dos seus advogados, José Eduardo Rangel de Alckmin e Sebastian Borges de Albuquerque Mello, reafirmando sua confiança na Justiça.
O parlamentar lamenta, entretanto, a morosidade de investigações dessa natureza, que comprometem reputações e causam prejuízos políticos, especialmente em ano eleitoral, motivo pelo qual defende que a apuração ocorra de forma célere e responsável.
O deputado reitera que jamais negociou a execução de emendas parlamentares, nunca indicou empresas e não exerce qualquer função de ordenador de despesas. O papel do parlamentar sempre se limitou à apresentação de emendas, com o objetivo de assegurar recursos federais aos municípios que representa na Bahia.
Em seu quarto mandato, Félix Mendonça Júnior sempre pautou sua atuação pela legalidade, transparência e respeito absoluto às instituições. O deputado segue à inteira disposição da Justiça, confiante de que, ao final das investigações, sua inocência será plenamente confirmada.
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