Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ironizaram a fala da primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, que afirmou, ao comentar em uma publicação do governador Tarcíso de Freitas (Republicanos), que “o Brasil precisa de um novo CEO”.
A fala foi interpretada como se a primeira-dama defendesse que Tarcísio fosse candidato ao Planalto pelo campo de centro-direita, embora a assessoria do governador afirme que apenas concordou com a postagem feita por ele, na qual dizia que para administrar o Brasil seria necessário “reduzir o estado”. Cristiane escreveu: “Nosso país precisa de um novo CEO, meu marido!”.
As críticas à primeira-dama de São Paulo ocorrem em meio às pressões para que Tarcísio se posicione de forma mais enfática em apoio ao filho primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi escolhido pelo ex-mandatário para representá-lo nas urnas.
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Em paralelo, o governador aparece como nome viável para disputar a Presidência. Nesta terça-feira, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou um vídeo, no qual Tarcísio de Freitas aparece fazendo críticas à política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Procurado, Flávio Bolsonaro não respondeu.
Enquanto parte dos correligionários viram como um aceno “diplomático” a Tarcísio, outros enxergaram uma tentativa de reforçar o nome do governador como ainda viável na disputa presidencial. Embora Michelle reforce publicamente o endosso a Flávio, esta não seria a sua preferência. No ano passado, ela chegou a se desentender publicamente com os enteados por articulações partidárias, o que expôs uma disputa por protagonismo no clã Bolsonaro.
O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo foi um dos que criticou a fala de Cristiane.
“O bolsonarismo não quer um CEO. Isso é positivismo estúpido típico de milico […] O bolsonarismo nasce da antítese disso, como reação a essa lógica — não contra ordem ou competência, mas contra a ideia de que o povo deve ser permanentemente tutelado por uma elite tecnocrática que trata a nação como se fosse uma empresa mal administrada”, escreveu em suas redes sociais.
O filho 02 de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), foi irônico. Ele postou no Instagram uma imagem do ex-governador João Doria segurando uma revista com a própria foto da capa. No título está escrito: “João Dória, o CEO de São Paulo”.
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Flávio pede calma
Também nesta terça, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que o governador de São Paulo não seja cobrado por um apoio mais enfático à sua pré-candidatura ao Planalto. Flávio disse “confiar na lealdade” do aliado e ter certeza de que estará no palanque do governador. Tarcísio era tido como favorito para representar o campo de centro-direita nas eleições deste ano, mas viu seus planos se tornarem mais difíceis após Bolsonaro ter escolhido Flávio para a missão.
Embora não seja descartado para concorrer à presidência e apareça bem em pesquisas de opinião de votos, caciques de partidos do Centrão avaliam que ele deve se contentar com a reeleição para o Palácio Bandeirantes. Até agora, os acenos de apoio a Flávio foram tímidos. Como mostrou O GLOBO na semana passada, um mês depois do anúncio da pré-campanha de Flávio, embora o governador tenha dito mais de uma vez que irá apoiá-lo, aliados afirmam que ele precisará ser mais incisivo.
Embora tenha dito mais de uma vez que vai apoiar a empreitada de Flávio, sobretudo após questionamentos de jornalistas, Tarcísio não citou o senador em nenhuma das 42 postagens que fez no Instagram no período.
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— Conversei com ele enquanto estava nos Estados Unidos. Ele já declarou que vai me apoiar, então, não vamos pressioná-lo. Confio na lealdade dele. O palanque de São Paulo, com um governador bem avaliado e com entregas, como Tarcísio, é o sonho de qualquer candidato — afirmou.
Segundo aliados de Tarcísio, após Jair Bolsonaro dar o aval para Flávio disputar a presidência, o senador ligou para o governador para contar a decisão, e depois chegou a telefonar outras vezes para o aliado. Ainda de acordo com pessoas próximas, Tarcísio está disposto a “ajudar no que for preciso”, conforme for acionado pelo cabeça da chapa.
Para esses interlocutores, o governador tem visto com bons olhos as visitas de Flávio a lideranças da Faria Lima, embora não tenha ajudado a articular os encontros. Ao GLOBO, o presidente de um partido do Centrão afirma que quando a “campanha esquentar”, Tarcísio vai se engajar na empreitada eleitoral de Flávio.
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A falta de empenho do governador na pré-campanha, porém, já provoca a reação de aliados bolsonaristas na Alesp. Há três semanas, durante as últimas sessões do ano, o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) disse que o governador deveria até assinar um documento assegurando o apoio a Flávio.
— O meu pré-candidato à presidência se chama Flávio Bolsonaro. Eu gostaria também que o governador fosse mais claro nas suas posições. Ele deu apoio público ao Flávio, mas eu gostaria, inclusive, que se possível ele assinasse um compromisso que aqui em São Paulo o senador Flávio Bolsonaro terá o maior palanque que qualquer presidenciável já viu — defendeu Diniz.
Na mesma semana, dias após Flávio fazer o anúncio da pré-candidatura, Tarcísio chegou a manifestar apoio ao senador, mas sinalizou que haveria outras candidaturas no campo conservador e, nos dias subsequentes, não fez mais referências ao assunto.
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