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Após 3 anos, 8 de Janeiro tem 1.190 responsabilizados e disputa política sobre penas

Três anos após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o balanço judicial do episódio revela um amplo quadro de responsabilizações penais, que vai desde os manifestantes que participaram diretamente das depredações até o núcleo político acusado de articular a tentativa de ruptura institucional.

Dados consolidados do Supremo Tribunal Federal (STF) mostram que, até agosto de 2025, mais de mil pessoas já haviam sido responsabilizadas criminalmente, enquanto o Congresso discute uma alternativa legislativa para reduzir penas, o chamado PL da Dosimetria.

O levantamento do gabinete do ministro Alexandre de Moraes indica que 1.190 pessoas foram responsabilizadas até o momento. Desse total, 638 foram condenadas pelo STF após julgamento, e outras 552 firmaram Acordos de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Federal, admitindo crimes considerados de menor gravidade.

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Houve ainda dez absolvições. As ações penais abertas somam 1.628, das quais 518 tratam de crimes graves e 1.110 de delitos menos graves. Segundo a Corte, 112 processos ainda aguardam julgamento, enquanto os demais estão em diferentes fases de instrução ou já foram extintos pelo cumprimento das penas.

Grupos da ação

Entre os condenados, a maioria está enquadrada no grupo dos chamados executores — os manifestantes que participaram diretamente da invasão e da depredação das sedes dos Três Poderes.

Das 638 condenações, 279 envolveram crimes considerados graves, como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público. Outras 359 condenações referem-se a crimes menos graves, como incitação e associação criminosa.

Atualmente, 29 pessoas seguem presas preventivamente, 112 cumprem pena definitiva e 44 estão em prisão domiciliar, com ou sem uso de tornozeleira eletrônica.

No caso dos acordos firmados com o MPF, o STF homologou 552 ANPPs. Eles foram oferecidos a réus que respondiam apenas por incitação ao crime e associação criminosa, sem provas de participação direta nos atos de violência ou na tentativa de golpe.

Como contrapartida, os envolvidos confessaram os delitos, aceitaram prestar serviços comunitários, pagar multa de R$ 5 mil, não reincidir em crimes semelhantes e se afastar de redes sociais abertas até o cumprimento integral das condições. Também foi imposta a participação obrigatória em cursos sobre democracia, Estado de Direito e golpes de Estado.

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Leia mais: Por que presos do 8 de Janeiro recusaram acordo com o Ministério Público?

Além das penas individuais, o Supremo fixou uma indenização mínima de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, valor que deverá ser pago de forma solidária pelos condenados por crimes graves. Esse montante se refere aos prejuízos causados ao patrimônio público durante a invasão das sedes do Planalto, do Congresso e do STF.

Paralelamente, a Corte já solicitou a extradição de 61 investigados que deixaram o país, em processos que tramitam sob sigilo.

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Paralelamente, a Corte já solicitou a extradição de 61 investigados que deixaram o país, em processos que tramitam sob sigilo.

Núcleo político

A responsabilização não se limitou aos executores. As investigações da Polícia Federal, que embasaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apontaram a existência de um núcleo político responsável por planejar e liderar a tentativa de golpe.

Segundo a PGR, a organização criminosa teria atuado de forma contínua entre julho de 2021 e janeiro de 2023, mobilizando estruturas do Estado para desacreditar o processo eleitoral e impedir a posse do presidente eleito.

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Leia mais: Por que Bolsonaro está sendo julgado mesmo que um golpe não tenha sido consumado?

Nesse contexto, a Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados à trama golpista. Segundo a acusação, Bolsonaro teve papel central na articulação do plano, desde a disseminação de ataques ao sistema eleitoral até a elaboração de um decreto que previa medidas excepcionais para reverter o resultado das eleições.

Outros aliados próximos também foram alcançados pelas condenações. O general Walter Braga Netto, vice na chapa de Bolsonaro em 2022, foi apontado como cúmplice no comando da organização criminosa, acusado de atuar para influenciar setores das Forças Armadas.

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Integram ainda o núcleo considerado crucial pela PGR nomes como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem e o ex-chefe do GSI Augusto Heleno.

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tornou-se peça-chave ao firmar acordo de colaboração e detalhar o funcionamento interno da trama.

Da anistia à dosimetria

Enquanto o STF avançava nas condenações, o Congresso passou a discutir uma saída legislativa para aliviar as penas impostas aos envolvidos no 8 de Janeiro. A proposta original era um projeto de anistia, apresentado poucos meses após os ataques. O texto, porém, encontrou forte resistência jurídica e política, especialmente diante do risco de ser considerado inconstitucional.

Diante desse impasse, ganhou força uma alternativa: o chamado PL da Dosimetria. Em vez de extinguir crimes, a proposta altera critérios de fixação e progressão de penas, reduzindo de forma significativa o tempo de prisão para condenados pelos atos golpistas.

Segundo cálculos apresentados durante a tramitação, o texto poderia beneficiar inclusive Jair Bolsonaro, reduzindo sua pena de mais de 27 anos para pouco mais de dois anos.

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O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro, em votação realizada de madrugada, e avançou no Senado após ajustes que limitaram seus efeitos a crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Ainda assim, a proposta gerou críticas de juristas e de parlamentares da base governista, que veem no texto um risco de estímulo à impunidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já declarou publicamente que pretende vetar o projeto.

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