APARECIDO CARMO
DO REPÓRTERMT
O feminicida e homicida Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-governador Carlos Bezerra (MDB), só deve ser julgado no ano que vem pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do então namorado dela, Willian César Moreno. Isso porque o recesso do Judiciário tem início no próximo dia 20 de dezembro e, mesmo que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso tome uma decisão sobre o último pedido apresentado pela defesa de Carlinhos Bezerra, não haverá tempo hábil para realizar o julgamento ainda em 2025.
Em agosto deste ano, o TJ negou por unanimidade o pedido da defesa de Bezerra para escapar do Tribunal do Júri. Mas um novo pedido, desta vez para que ele seja julgado em outra cidade que não Cuiabá, foi apresentado ao TJ e segue sem definição.
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O chamado “pedido de desaforamento” é um instrumento usado quando a defesa do acusado acredita que a opinião pública negativa sobre o réu pode impedir que ele tenha um julgamento justo. Nesses casos, o júri popular é feito em outro município, considerado “neutro”.
Enquanto não se define onde será realizado o julgamento, não é possível marcar uma data para o início dos trabalhos. O processo tramita sob a relatoria do desembargador Paulo Sergio Carreira, das Câmaras Criminais Reunidas. Bezerra aguarda julgamento no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Em novembro de 2023, Bezerra chegou a ser colocado em liberdade, mediante o uso de tornozeleira eletrônica. Na ocasião, o relator era o desembargador José Zuquim Nogueira, atual presidente da Corte Estadual.
Em seu voto, ele defendeu que não havia “base empírica satisfatória a comprovar sua acentuada periculosidade, ou indícios de que, em liberdade, voltará a praticar outros atos delituosos”.
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A medida foi revogada em fevereiro de 2024, depois que o Ministério Público de Mato Grosso denunciou à Justiça que Carlinhos estava se deslocando pela cidade quando deveria estar recolhido em sua residência.
Em outubro deste ano, ele chegou a ingressar com um novo pedido para ficar em prisão domiciliar, alegando problemas de saúde que não poderiam ser resolvidos na unidade médica da penitenciária, mas o TJ negou.
Na decisão, os desembargadores destacaram o descumprimento de decisão judicial anterior; que os procedimentos médicos citados são de caráter eletivo, isto é, não têm caráter de urgência; e que a precariedade do sistema prisional não é motivo para conceder prisão domiciliar.
Relembre o caso
Carlinhos Bezerra foi preso na noite de 18 de janeiro de 2023. Ele estava escondido em uma fazenda da família na cidade de Campo Verde.
Investigações apontaram que, antes de cometer o duplo homicídio, Carlinhos Bezerra monitorava a ex e tinha informações detalhadas de onde ela estava. Foram encontrados 71 prints de localizações dos lugares que a vítima frequentava.
O réu fazia o download dessas informações no celular dele e depois imprimia a geolocalização da vítima. Esse procedimento era realizado quando ainda se relacionava com a vítima.
Thays Machado já havia feito um boletim de ocorrência contra Carlinhos e, de acordo com a polícia, o crime aconteceu quando ela estava no prédio para devolver o carro que havia emprestado da mãe para buscar o namorado no aeroporto.
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