sábado , 7 março 2026
💵 DÓLAR: Carregando... | 💶 EURO: Carregando... | 💷 LIBRA: Carregando...

Oposição tenta derrubar portaria do governo para barrar câmeras corporais em policiais

A oposição na Câmara dos Deputados tenta agilizar a votação de um projeto de decreto legislativo (PDL) que busca anular as portarias do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) que regulamentam o uso de câmeras corporais em policiais. O embate revela uma disputa de poder entre o Executivo e o Legislativo, além de levantar questões sobre a legalidade e a autonomia na segurança pública.

As portarias nº 572/24 e nº 648/24, emitidas pelo Ministério da Justiça, estabelecem critérios técnicos para as câmeras, como a qualidade de imagem e o armazenamento dos dados, além de detalhar as situações em que o uso é obrigatório. Para o Ministério, a regulamentação é uma forma de garantir padrões mínimos e a eficácia da política pública. No entanto, a oposição argumenta que o Executivo ultrapassou sua autoridade.

A regra em vigor tem o objetivo de uniformizar o uso de câmeras corporais. Cabe aos estados decidirem pela adoção ou não do equipamento. No entanto, a portaria condiciona o repasse de recursos federais do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional para os estados ao cumprimento da norma.

O Projeto de Decreto Legislativo 294/24 para sustar as portarias foi aprovado no dia 12 de agosto pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Agora, o texto está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, se aprovado, seguirá para o Plenário da Câmara. Para que as portarias sejam de fato suspensas, o projeto precisará ser aprovado também pelo Senado Federal.

De acordo com o autor do PDL, deputado Alberto Fraga (PL-DF), a imposição de câmeras corporais causa “insegurança jurídica”, porque “ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo”.

“Quando o Estado coloca uma câmera de monitoramento no peito do policial, está dizendo claramente que não confia naquele policial. Tem uma certa desconfiança e isso é ruim. É evidente que uma câmera, para determinados momentos, até ajuda o policial. Mas em outros, dependendo da interpretação, principalmente da imprensa que sempre é tendenciosa, fica sempre o ônus para o policial”, disse à Gazeta do Povo.

VEJA TAMBÉM:

Regulação deve ser por lei e não por portarias, diz relator

O relator do projeto, deputado Sargento Portugal (Pode-RJ), defende que a matéria deveria ser regulada por lei, e não por portarias. Ele aponta que a Lei 13.675/18, usada como base para as normas, não trata especificamente do uso de câmeras corporais.

“As medidas a serem tomadas precisam seguir a legalidade e os preceitos constitucionais, sob pena de, em nome de um bem maior, serem usurpados os pilares do nosso Estado de Direito”, afirmou o deputado.

A ação do grupo, que fundiu seis propostas em um único PDL, sinaliza uma tentativa coordenada de reverter a decisão ministerial.

Para o deputado Coronel Meira (PL-PE), a medida coloca o policial sob suspeita, invertendo o papel de protetor para o de vigiado. Segundo ele, a exigência de câmera nasce de uma “visão distorcida e covarde” que busca transformar o policial em suspeito e o criminoso em vítima.

“Quem defende o povo deve ser honrado, respeitado e valorizado, e não tratado como se fosse bandido”, afirmou. O deputado questiona por que o monitoramento não se estende a áreas de criminalidade organizada, sugerindo que o crime não permitiria tal vigilância. Ele argumenta ainda que o Estado deveria focar em monitorar criminosos, e não seus próprios agentes.

O Coronel Meira sugeriu que, em nome da transparência, as câmeras fossem instaladas nas togas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o país pudesse ver cada “conchavo e cada canetada”.

A tentativa do governo de regulamentar o tema por meio de portarias foi criticada pelo Coronel Meira, que a classificou como um “escárnio” e “completo absurdo”. Ele considera a medida um “tapa na cara da Constituição”, já que a prerrogativa de legislar sobre o tema, segundo ele, é do Parlamento.

Para o deputado, ao fugir do debate legislativo e tentar impor as regras via portarias, o governo demonstra “covardia” e busca “humilhar o policial”. Ele acredita que essa ação é mais uma “peça da engrenagem para minar a autoridade policial” e, consequentemente, deixar o cidadão mais vulnerável.

Defensores das câmeras temem “vácuo regulatório” com fim das portarias

A medida, apoiada por alguns setores da oposição, levanta preocupações para governistas e defensores do uso do instrumento. Para eles, a suspensão das portarias pode criar um vácuo regulatório, deixando a critério de cada estado ou mesmo de cada corporação a definição de como, quando e onde as câmeras devem ser usadas. Sem padrões unificados, a eficácia do uso da tecnologia para garantir a transparência e a redução da violência policial pode ser comprometida.

De acordo com os defensores, as câmeras permitem maior controle das atividades policiais, inibem casos de abuso de autoridade e ainda protegem bons policiais contra falsas acusações, fornecendo provas que podem ser usadas em investigações internas e processos judiciais.

Atualmente, as polícias militares de 14 estados e do Distrito Federal já utilizam câmeras operacionais corporais (COPs) ou estão em processo de aquisição do equipamento. O Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça, está oferecendo recursos e conduzindo um processo de licitação unificado para facilitar a compra das câmeras pelos estados.

O uso do mecanismo também vem sendo alvo do Supremo Tribunal Federal (STF). Em São Paulo, por exemplo, o uso das câmeras está sendo expandido após um acordo com o STF, que definiu regras específicas, como o acionamento automático em certas situações (acesso a comunidades, por exemplo) e a reativação da gravação caso o policial a interrompa manualmente.

Apesar das diretrizes nacionais, a adoção e os protocolos de uso variam significativamente entre os estados. Isso pode levar a inconsistências na coleta de evidências e na transparência. Alguns estados que ainda não adotaram as câmeras citam o alto custo como o principal entrave.

Relatórios recentes de entidades como a Defensoria Pública de São Paulo apontam dificuldades para que o sistema de justiça e os cidadãos acessem as imagens gravadas, o que compromete a eficácia da ferramenta como mecanismo de transparência e controle externo.

fonte

Verifique também

Filha de Vorcaro representa ong na África gerida por operador de propinas do banqueiro

Uma das empresas citadas pela Polícia Federal por supostamente pagar servidores do Banco Central para …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *