O ano letivo começa na Ucrânia na semana que vem, e autoridades do país se preocupam com o aumento dos riscos de adolescentes serem aliciados pela Rússia para cometer atos de sabotagem.
Em junho, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) informou ao jornal britânico Financial Times que, das mais de 700 pessoas que havia prendido no ano e meio anterior por atos de espionagem e sabotagem, cerca de um quarto eram ucranianos com menos de 18 anos.
Esses jovens colocaram bombas em locais públicos, incendiaram veículos, fizeram pichações contra a Ucrânia e enviaram fotos de potenciais alvos militares para agentes russos, informou nesta quinta-feira (28) o jornal Kyiv Independent.
Em entrevista ao periódico, Vasyl Bohdan, chefe do Departamento de Prevenção Juvenil da Polícia Nacional da Ucrânia, disse que o aliciamento acontece na maioria dos casos por meio do aplicativo Telegram e que os agentes russos se aproveitam da ingenuidade dos jovens para recrutá-los.
“Na maioria das vezes, as crianças não entendem o que está acontecendo ou que é muito sério [o que estão fazendo]”, disse Bohdan.
Ele explicou que, em muitos casos, os adolescentes acreditam que estão apenas participando de um jogo ou entregando pacotes inofensivos. Quando percebem que foram aliciados para cometer atos de sabotagem, os jovens são chantageados com ameaças de divulgação de fotos comprometedoras ou de expô-los como colaboradores do Kremlin.
Um caso dramático relatado por Bohdan ocorreu em março, quando os serviços de inteligência russos detonaram remotamente um dispositivo explosivo que dois adolescentes na cidade de Ivano-Frankivsk haviam sido pagos para plantar. Um dos jovens foi morto na explosão e o outro ficou ferido.
Bohdan afirmou que, além da repressão direta a atos de sabotagem, as autoridades ucranianas têm realizado campanhas de educação voltadas aos jovens para impedir esse aliciamento.
A iniciativa tem gerado resultados, apontou o diretor, que disse que o número de casos de sabotagem envolvendo adolescentes está diminuindo e que relatos de que tentativas de recrutamento não deram certo estão se tornando mais comuns (recentemente, foram registrados 74 casos de jovens ucranianos que alertaram a polícia sobre contatos que receberam de agentes russos).
“As crianças estão percebendo que isso não é apenas uma oferta de trabalho, uma comunicação casual ou um pedido. Elas entendem que se trata de uma atividade ilegal do inimigo com o objetivo de desestabilizar o nosso país”, disse Bohdan.