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Advogado diz que emprestou assinatura digital para amigo acessar processos usados em golpe; polícia contesta versão

DO REPÓRTERMT

O advogado Rodrigo Moreira Marinho, alvo da Operação Sepulcro Caiado, disse à Polícia Civil que apenas emprestou seu token digital e senha a um amigo de infância, mas investigadores afirmam que ele atuou diretamente nos golpes que desviaram mais de R$ 21 milhões do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

Em depoimento, o advogado alegou ter emprestado seu token digital, dispositivo usado para assinatura eletrônica, ao também investigado Wagner Vasconcelos de Moraes, seu amigo de infância. Segundo Rodrigo, os dois retomaram contato durante a pandemia e, para evitar perda de prazos processuais, ele forneceu o dispositivo junto com a senha. O advogado alegou não ter conhecimento dos processos cíveis em que os golpes foram aplicados, afirmando atuar apenas na área criminal.

Para a polícia, essa versão não se sustenta. O relatório aponta que Rodrigo figurava como procurador constituído em processos de execução e atuava de forma contrária ao que declarou.

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“A alegação de que tomou conhecimento de apenas um processo e não se aprofundou por entender tratar-se de matéria cível demonstra, quando muito, deliberada cegueira quanto às atividades criminosas das quais participava, não podendo servir de barreira para afastar sua responsabilização penal”, destaca o documento.

As investigações mostram que, em um dos casos, Rodrigo representou simultaneamente as duas partes. A vítima disse não conhecê-lo nem ter concedido procuração. Judicialmente interditada desde 2013, teve seu nome usado nos golpes.

De acordo com a apuração, o esquema funcionava da seguinte forma: João Gustavo Ricci Volpato, apontado como líder, e familiares ajuizavam ações de execução com documentos falsos. Advogados do grupo representavam as partes com procurações também falsas, enquanto servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), especialmente Mauro Ferreira Filho, produziam planilhas fraudulentas simulando depósitos na Conta Única do órgão. Isso permitia a emissão de alvarás judiciais para levantar valores indevidamente.

O grupo ainda apresentava comprovantes de pagamento forjados. Em alguns casos, Mauro Ferreira inseria dados nas planilhas antes mesmo de haver requerimento formal nos processos. Apenas nos 17 processos identificados inicialmente, o prejuízo supera R$ 11 milhões, mas a estimativa da polícia é que o rombo ultrapasse R$ 21 milhões.

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Todos os envolvidos foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, estelionato, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato, patrocínio infiel e lavagem de capitais. O indiciamento, assinado pelo delegado Pablo Carneiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, foi concluído na sexta-feira (8) e encaminhado ao ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ricardo Villas Bôas Cueva, que decidirá sobre o recebimento.

Rodrigo chegou a ser preso na operação, mas foi solto dias depois por decisão do ministro Gilmar Mendes, sob medidas cautelares.


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