quarta-feira , 21 janeiro 2026
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Filiação de Derrite une centro-direita com ensaio de frente ampla com Tarcísio para 2026

A presença dos presidentes nacionais de cinco partidos de direita e centro-direita na filiação do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, ao Progressistas, na noite de quinta-feira (22), sinaliza a reorganização do grupo político em oposição ao governo Lula na disputa presidencial do próximo ano. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ressaltou o simbolismo do encontro entre PP, União Brasil, PSD, PL e Podemos, o que possibilita a construção de uma frente ampla para as eleições de 2026.

“Tem mais uma coisa que é importante e não pode passar despercebida: o simbolismo desta reunião, a quantidade de lideranças que temos aqui do Brasil inteiro. Para quem duvida que esse grupo estará unido no ano que vem, eu digo para vocês: esse grupo estará unido. Esse grupo vai ser forte, esse grupo tem um projeto para o Brasil”, discursou o governador.

No ensaio para as eleições, a dobradinha Derrite/Tarcísio funcionou muito bem. Se o mandatário de São Paulo ainda não dá pistas se irá concorrer à reeleição ou se será lançado como pré-candidato ao Palácio do Planalto, Derrite confirmou a disputa pelo Senado. Independentemente da escolha de Tarcísio, o secretário estadual contará com o apoio do aliado, que tem nos números da segurança pública um dos principais trunfos para a campanha em 2026.

Além de Ciro Nogueira e Antonio Rueda, presidentes nacionais do PP e União Brasil e responsáveis pela nova federação União Progressista, Gilberto Kassab, secretário do governo paulista e mandatário do PSD, Renata Abreu, deputada federal e líder nacional do Podemos e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, ex-partido de Derrite, estiveram no evento de filiação do parlamentar – que está licenciado da Câmara para comandar a segurança pública em São Paulo. Jair Bolsonaro (PL) não participou do evento e, nos bastidores, aliados do ex-presidente criticam a postura de Valdemar ao se aliar aos demais caciques da direita e da centro-direita.

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Presidente do PP reforça construção de “alternativa política sólida” para o país   

Durante discurso no evento, o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, declarou que caso a decisão seja pela candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas, a federação União Progressista deve estar ao lado do governador de São Paulo. Nogueira apoia a anistia dos presos do 8 de janeiro, que pode beneficiar o ex-presidente Bolsonaro, que além da inelegibilidade imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é réu pela suposta tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele, no entanto, afirma que Tarcísio pode ser o principal candidato a presidente da direita em 2026 ou em 2030. “Os governadores de São Paulo sempre erram ao serem eleitos. Querem logo disputar a presidência e se colocam como candidatos a presidente. O eleitor paulista não elegeu um governador para ser trampolim político, mas para ser um exemplo para o país. Por isso, que, talvez, o Brasil vai chamar o governador Tarcísio. Em breve, agora, ou 2030. Quem vai decidir isso é o povo de São Paulo e do Brasil”, declarou.

“Mas pode ter toda certeza. Se tiver essa decisão, governador, nós estaremos, tanto o União Brasil quanto o Progressistas, ao lado do Brasil. Nós não iremos falhar com o nosso país”, completou.

Questionado pela Gazeta do Povo, o Progressistas respondeu que Nogueira reforçou “o protagonismo da legenda nas articulações que visam consolidar uma alternativa política sólida para o país” e destacou a presença da liderança de outras siglas no evento como “um gesto de unidade do campo político que projeta o futuro”.

No mesmo tom, sem dar pista sobre a articulação na centro-direita, Tarcísio elogiou a federação União Progressista como um “canhão político” e agradeceu a presença dos caciques. “No momento em que há dúvida, que tem muita gente em Brasília que está perdida, muita gente que não sabe o caminho e muitas decisões são tomadas de forma casuística, às vezes até de forma irresponsável, temos um grupo aqui que está unido, que sabe o caminho, faz a diferença e pensa no Brasil 24 horas por dia.”

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Convergência da centro-direita deve ser intensificada no segundo turno de 2026  

Na avaliação do cientista político e professor do Insper em São Paulo Leandro Consentino, os pré-candidatos cotados nos partidos de centro-direita devem adiar a frente ampla para o segundo turno. No entanto, a pré-aliança sinaliza que os partidos tendem a unificar o campo político na reta final das eleições de 2026 em oposição ao governo Lula.

“O alinhamento no primeiro turno é difícil de ocorrer, mas não deixa de ser um indicativo que a oposição está entendendo que pulverizada não vai muito longe e que unida pode conquistar pontos importantes”, analisa.

Entre os partidos representados pelos presidentes nacionais das siglas, três deles possuem nomes de presidenciáveis para o próximo ano em cenários marcados por incertezas. No União Brasil, o governador goiano Ronaldo Caiado se lançou pré-candidato, mas ainda articula internamente o apoio da sigla e da nova federação para consolidação do projeto nacional.

No PL, o ex-presidente Jair Bolsonaro é considerado o plano A do partido e pode até iniciar a campanha política em 2026, apesar da inelegibilidade, levando a candidatura até o limite legal para indicação de um substituto. Já o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que ocupa o cargo de secretário de Governo da gestão Tarcísio de Freitas em São Paulo, mexe as peças de xadrez em todas as frentes do tabuleiro. Além de apoiar a aventura presidencial do governador paulista, Kassab passou a ter dois pré-candidatos a presidente na legenda: os governadores Ratinho Junior, do Paraná, e o gaúcho Eduardo Leite, recém-filiado à legenda. Ainda assim, o PSD permanece no governo Lula com três ministérios. E Kassab, por sua vez, já se coloca como alternativa ao governo paulista no caso de Freitas decidir pela corrida ao Planalto.

“Temos uma miríade de candidaturas no mesmo campo político, o que torna mais difícil chegar ao denominador comum logo no início. A convergência é importante para sinalizar apoios mútuos em um eventual segundo turno”, avalia Consentino.            

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Encontro sinaliza reorganização da centro-direita e segurança pública em destaque para 2026

Para o cientista político Samuel Oliveira, a pré-candidatura ao Senado de Derrite sinaliza para a reorganização da centro-direita para as eleições de 2026, quando a pauta da segurança pública deve ser um dos principais temas em debate nas campanhas eleitorais, conforme indicado por pesquisas de opinião. 

“A presença do Derrite nessa frente ampla redefine o cenário político pelo menos neste momento, faltando mais de um ano para as eleições, e faz uma convergência das pautas conservadoras que de certa forma ficaram soltas, até porque isso sempre ficou a cargo do Bolsonaro e de sua família”, considera.

Apesar da vitrine, o cientista político faz a ressalva de que o governo paulista pode ser questionado em áreas sensíveis da segurança pública, principalmente em “temas estruturantes e no combate ao crime em médio e longo prazo”. A gestão Derrite enfrentou críticas por violência policial após a divulgação de vídeos de abordagens e passou pela crise mais grave após a delação de Antônio Vinícius Gritzbach, morto em novembro de 2024 no aeroporto de Guarulhos, depois de revelar a infiltração do PCC nas polícias Civil e Militar de São Paulo. 

Oliveira ainda ressaltou que o evento fortalece o partido Progressistas no processo de composição da centro-direita para 2026, mas pode ter o efeito colateral de provocar o tensionamento entre as siglas. “Ao mesmo tempo que mostra muita força desse arranjo político para combater, eleitoralmente, o governo federal, existem muitas personalidades fortes para definir questões nacionais e locais. Eles estão juntos, mas falta um ano e meio para tomada de decisões eleitorais, que envolvem questões como o fundo eleitoral e o fundo partidário”, avalia.

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Derrite e Valdemar confirmam aliança PP-PL por vagas ao Senado

Durante o evento, Derrite agradeceu ao presidente do PL pela “saída amigável” do partido, que possibilitou o retorno ao Progressistas, como parte de um acordo para a disputa das duas vagas ao Senado no próximo ano.

O secretário de Segurança Pública afirmou que a aliança PP-PL buscará a eleição de dois senadores conservadores, o que foi confirmado por Valdemar Costa Neto. “Nós tínhamos que abrir mão do Derrite para fazermos dois senadores por São Paulo: um do PL e outro do PP”, disse o presidente do Partido Liberal.

Existe a possibilidade do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) ocupar a vaga de candidato ao Senado, no entanto, ele ainda permanece nos Estados Unidos após alegar perseguição política do ministro do STF Alexandre de Moraes.      

Derrite também afirmou que a pauta da segurança pública é “suprapartidária”, posição mantida na Câmara, segundo ele, desde a primeira eleição como deputado federal há seis anos. “Não é questão de direita ou esquerda, é uma questão de civilidade ou barbárie. Ninguém aguenta mais ser vítima de roubo em um país onde o criminoso comete uma, duas, 30 vezes o mesmo crime de roubo e entra e sai do sistema prisional”, disse o novo filiado do PP, que defende a reforma da legislação com penas mais adequadas aos crimes cometidos.

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